O neobanco Revolut anunciou a criação de uma divisão interna dedicada exclusivamente à pesquisa em inteligência artificial, a Revolut Research. A iniciativa tem como primeiro grande projeto o desenvolvimento de um modelo fundacional proprietário, batizado de “Pragma”, em colaboração com a gigante de tecnologia Nvidia. O objetivo é claro: liderar o que a empresa chama de “banca inteligente”.
O movimento, reportado pela Forbes España, sinaliza uma aposta estratégica na verticalização tecnológica. Em vez de depender de soluções de prateleira, o Revolut está investindo para construir seu próprio “cérebro” de IA, treinado com os dados de seus mais de 80 milhões de clientes. A tese é que, no futuro das finanças, a vantagem competitiva não estará na interface, mas na profundidade da inteligência que a sustenta.
A aposta no modelo fundacional
O Pragma não é um algoritmo comum. Trata-se de um modelo fundacional desenhado para uma tarefa específica: decifrar os complexos e sutis padrões do comportamento financeiro. Alimentado por bilhões de transações e interações de usuários, o modelo busca otimizar desde a avaliação de risco de crédito em tempo real até a personalização de produtos, criando um ciclo de aprimoramento contínuo: quanto mais dados processa, mais preciso se torna.
Os resultados iniciais, segundo a companhia, são promissores. O Revolut afirma que o Pragma melhorou em 2,3 vezes a precisão na detecção de risco de inadimplência e aumentou em 65% a identificação de casos de fraude, com maior acurácia nas alertas. Para o cliente final, a promessa é de uma hiperpersonalização que resulta em recomendações de produtos 41% mais relevantes. Esses números representam o retorno sobre o investimento em um ativo tecnológico proprietário.
A verticalização da inteligência
“Se queremos liderar o futuro da banca inteligente, não podemos depender de soluções de terceiros”, afirmou Pavel Nesterov, diretor de IA do Revolut. A frase encapsula a essência da estratégia. Enquanto muitas fintechs operam como camadas de design e experiência sobre infraestruturas de terceiros, o Revolut busca controlar a pilha tecnológica de ponta a ponta, especialmente a camada de inteligência.
Para o ecossistema de fintechs, inclusive no Brasil, o movimento do Revolut eleva a barra competitiva. A iniciativa questiona se modelos de negócio baseados apenas em distribuição e experiência do usuário são sustentáveis a longo prazo sem uma profunda capacidade analítica proprietária. A aposta do Revolut é que a posse do motor de inteligência será o principal fosso a separar os líderes dos seguidores na próxima década.
A decisão de abrir parte dos resultados e desenvolver frameworks de código aberto sugere uma estratégia dupla: além de construir um produto superior, o Revolut quer se posicionar como um polo de talento e inovação em IA financeira. Resta saber como este investimento massivo em capacidade técnica se traduzirá em domínio de mercado e rentabilidade, à medida que a empresa continua sua expansão global e navega por complexos ambientes regulatórios.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





