A montadora chinesa Jetour, parte do grupo Chery, está avaliando opções para estabelecer uma linha de produção no Brasil, e uma das principais alternativas sobre a mesa é o compartilhamento de uma fábrica já existente. A sinalização foi dada por Henrique Sampaio, diretor de marketing da marca para o Brasil, em entrevista à agência Reuters.
A leitura do movimento é clara: em meio à ofensiva de marcas como BYD e GWM, que optaram por adquirir e reformar plantas industriais inteiras, a Jetour explora um modelo de entrada mais rápido e com menor exigência de capital. Trata-se de uma estratégia para acelerar a consolidação da marca em um mercado que se tornou um dos principais campos de batalha para as montadoras chinesas fora de seu país de origem.
A estratégia do 'carona' industrial
O modelo de compartilhamento de capacidade produtiva não é novo, mas ganha contornos estratégicos na atual conjuntura. Sampaio classificou a abordagem como “inteligente, boa para ambos os lados”, especialmente quando as empresas não competem no mesmo segmento. Para uma montadora já estabelecida no Brasil e com capacidade ociosa — um problema crônico do setor no país —, um acordo do tipo pode significar uma nova linha de receita. Para a Jetour, representa um atalho para a produção local, evitando os longos e custosos processos de construção ou reforma de uma fábrica própria.
A empresa já adota um modelo semelhante na África do Sul, em parceria com a Nissan. No Brasil, o caminho parece natural. Embora o executivo não tenha comentado sobre negociações específicas, a menção à fábrica ociosa da Caoa Chery em Jacareí (SP), parada desde 2022, paira como uma possibilidade concreta. A Jetour, afinal, é uma marca do mesmo grupo Chery, que já tem uma parceria estabelecida com a brasileira Caoa.
A corrida contra o relógio
O pano de fundo para essa movimentação é a urgência. Com um mercado doméstico saturado por mais de 140 marcas, as fabricantes chinesas veem a expansão internacional não como uma opção, mas como uma necessidade para sobreviver. E o Brasil, sexto maior mercado do mundo, é a porta de entrada para a América Latina. “Quem já chegou no Brasil sabe que está correndo contra o relógio”, afirmou Sampaio, destacando a velocidade com que novos concorrentes chegam ao país.
A disputa é pela mente do consumidor. A marca que se estabelecer mais rápido, segundo o executivo, terá uma vantagem duradoura. Com um investimento previsto de R$ 400 milhões até 2027 (sem contar a produção local), a Jetour já tem 60 concessionárias e pretende lançar seis modelos apenas este ano. A estratégia de produção local via parceria seria a peça que falta para “furar o chão com o pé no acelerador”, como descreveu Sampaio, e garantir um lugar permanente no pódio do mercado brasileiro.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





