Em 2012, um console de videogame não era apenas um portal para mundos digitais; podia ser o próprio artefato. O Xbox 360 inspirado em R2-D2, com seu controle dourado à la C-3PO, não só rodava jogos, mas emitia os sons icônicos do dróide ao ser ligado. Era um objeto de desejo que habitava a sala de estar, um totem físico de uma paixão cultural que ia além da tela.

Esta foi a era de ouro das edições limitadas, um campo onde a Microsoft, especialmente com o Xbox 360, transformou hardware em item de colecionador. Versões como a do game Gears of War 3, em vermelho metálico e com sons customizados, ou a raríssima edição Ice Blue de Halo 2, vendida apenas no Canadá e na Ásia em 2005, hoje alcançam valores que podem superar os US$ 2 mil. O que era um produto de massa se torna, pela escassez e pelo design, um ativo, um marco de um tempo específico.

A estratégia por vezes aterrissava em territórios inesperados, como no Brasil, com uma improvável edição do Xbox One em comemoração aos 102 anos do Palmeiras — um aceno à especificidade da paixão local. Hoje, a prática parece mais tímida. A Microsoft, como aponta uma análise do Canaltech, prefere sorteios e edições limitadas a mercados específicos, deixando para trás a era em que essas obras de arte estavam mais acessíveis nas prateleiras do varejo.

Resta o legado desses objetos. Em uma indústria que caminha a passos largos para o streaming e o puramente digital, o que se perde quando o próprio console deixa de ser uma peça de exibição? Talvez mais do que um pedaço de plástico e silício: um fragmento tangível da memória afetiva que define a cultura dos games.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Canaltech