A gigante espanhola de tecnologia e defesa Indra Group e a Universidade Politécnica de Madrid (UPM) concluíram o design e a fabricação de seus primeiros quatro chips, um marco importante na colaboração entre as duas instituições. Os circuitos, que já estão em fase de testes, incluem três designs em silício de 65 nanômetros, fabricados pela taiwanesa TSMC, e um circuito integrado fotônico.
O movimento não é apenas um avanço técnico, mas uma peça central na estratégia da Espanha — e, por extensão, da Europa — para conquistar maior autonomia na cadeia de semicondutores. A parceria, formalizada em uma cátedra conjunta, utiliza estudantes de graduação e doutorandos para explorar tecnologias de ponta em um ambiente pré-competitivo, servindo como um laboratório para o futuro e um funil de talentos para a indústria.
O modelo academia-indústria
A iniciativa entre Indra e UPM é um exemplo prático de como os países europeus estão tentando responder à dependência de fornecedores asiáticos e americanos de chips. Em vez de apenas financiar pesquisa pura, o modelo cria um ecossistema onde os desafios da indústria direcionam a investigação acadêmica, e os resultados são rapidamente absorvidos pela empresa.
Os projetos em desenvolvimento são estratégicos: um dos chips utiliza a arquitetura aberta RISC-V, enquanto outros exploram a hetero-integração 3D e a fotônica integrada para aplicações de radiofrequência e 'beamforming'. São tecnologias que não miram o mercado de massa, mas nichos de alto valor agregado, cruciais para setores como defesa, telecomunicações e aeroespacial, onde a Indra tem forte presença.
Do laboratório à fábrica
O design de chips em ambiente universitário é apenas o primeiro passo. A ambição da Indra é verticalizar parte da produção. A empresa é a sócia majoritária da Sparc Foundry, uma iniciativa de colaboração público-privada para construir uma fábrica de semicondutores em Vigo, com previsão de início de operação em 2027.
Essa futura fábrica será especializada em semicondutores III-V, como o fosfeto de índio, material usado em um dos chips desenhados na UPM. A leitura é clara: a pesquisa acadêmica de hoje está pavimentando o caminho para as capacidades produtivas que a Espanha pretende ter amanhã. O projeto Sparc é descrito como uma das iniciativas mais ambiciosas da Europa no setor, posicionando o país como um ator relevante na busca por soberania estratégica.
Enquanto a fabricação em massa de semicondutores avançados permanece um desafio monumental dominado por poucos players globais, a estratégia espanhola foca em criar um ciclo completo. A colaboração entre Indra e UPM mostra um caminho pragmático: desenvolver talentos e propriedade intelectual em casa para alimentar uma capacidade industrial especializada e, assim, garantir um lugar na disputada geopolítica dos chips.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España



