O mercado de commodities agrícolas voltou a operar sob tensão. O contrato futuro de milho mais negociado na bolsa de Chicago (CBOT) fechou em alta nesta quinta-feira (20), atingindo seu maior valor em 18 meses e rompendo a barreira psicológica de US$ 5 por bushel. O gatilho foi a divulgação de resultados preliminares de uma tradicional visita de campo que lança dúvidas sobre o tamanho real da safra americana.

A volatilidade reflete a reavaliação de risco pelos operadores. As novas informações, provenientes da inspeção da Pro Farmer, sugerem que a colheita no Meio-Oeste dos EUA pode ser menor do que as projeções oficiais indicavam, mesmo após o Departamento de Agricultura do país (USDA) já ter revisado suas estimativas para baixo na semana anterior. O que está em jogo é a oferta de um dos grãos mais importantes do mundo, com impacto direto na cadeia de alimentos e ração animal.

O termômetro do Meio-Oeste

Mais do que dados estatísticos, o mercado reage agora a um fator de incerteza tangível. A expedição da Pro Farmer funciona como um termômetro em tempo real, um contraponto físico às projeções de modelos. E os sinais não são animadores. Para Illinois, o segundo maior estado produtor de milho dos EUA, a projeção de rendimento ficou abaixo das médias recentes. Como resumiu Dan Basse, presidente da consultoria AgResource, “a excursão às plantações está mostrando que a safra de milho não é tão grande quanto o esperado”.

O cenário do milho não é um evento isolado. Ele se soma a um mercado de trigo já pressionado pela escalada do conflito no Mar Negro, que restringe as exportações da Rússia e da Ucrânia. Com importadores globais buscando origens alternativas e mais caras, a preocupação com a oferta de grãos se torna generalizada. A combinação de uma potencial quebra de safra nos EUA por fatores climáticos com uma crise logística por fatores geopolíticos cria um ambiente de risco amplificado para a segurança alimentar global.

Os próximos dias, com a conclusão da visita de campo, serão decisivos para estabelecer um novo patamar de preços. A questão que permanece é se a realidade da lavoura americana confirmará uma frustração de safra relevante, com repercussões diretas para a inflação de alimentos e para a estratégia de exportadores como o Brasil, que podem encontrar uma janela de oportunidade em meio à instabilidade externa.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times — Mercados