O que acontece com os materiais de uma exposição quando as luzes se apagam? A arquitetura efêmera, montada para durar dias ou semanas, geralmente encontra seu fim em um contêiner de descarte. Para o designer japonês Takuto Ohta, no entanto, o desmonte de uma instalação foi o ponto de partida. Ele se deparou com cerca de 200 toras de cedro Yoshino, provenientes da prefeitura de Nara, que haviam cumprido seu papel e agora não tinham destino certo. Em vez de vê-las como resíduo, Ohta viu matéria-prima.

O resultado é "log x", um projeto que é tanto uma coleção de móveis quanto um manifesto sobre o ciclo de vida dos materiais. Desenvolvido ao longo de dois meses no espaço SKWAT, em Tóquio, o trabalho de Ohta não partiu de desenhos pré-concebidos, mas de um diálogo direto e experimental com a madeira disponível, explorando o que cada peça poderia se tornar.

Um design que escuta a matéria

O processo de Ohta foi um exercício de improviso e repetição. Cortando, testando e montando, ele descobriu as potencialidades de cada tora, com suas irregularidades e as fendas deliberadas — um detalhe técnico para evitar rachaduras — tornando-se parte ativa do design. A coleção de aproximadamente 50 peças que emergiu desse método mantém o caráter bruto e a massa original da madeira, com intervenções mínimas para transformá-las em bancos, mesas e cadeiras.

O nome "log x" encapsula essa filosofia. "Log" refere-se tanto à tora de madeira quanto ao logaritmo matemático, enquanto o "x" funciona como a variável para as múltiplas formas que surgiram. Ohta transforma o ato de fabricar em algo que pode ser lido e comparado, tornando visível a evolução do projeto em vez de escondê-la por trás de um resultado final polido. É um sistema que se revela em seu fazer.

O projeto de Ohta é uma crítica sutil à cultura do descartável, especialmente prevalente em eventos como semanas de design e feiras de arte. Ao tratar o desmantelamento não como um fim, mas como o início de uma nova fase, ele propõe uma alternativa. As toras que não se tornaram móveis permaneceram no espaço, servindo como assentos para visitantes e como estoque para o ateliê — um lembrete de que o "temporário" não precisa significar "terminado". A pergunta que fica no ar não é apenas sobre o que o design pode criar, mas sobre o que ele decide não destruir.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Designboom