A consultoria de cibersegurança TBRsafe firmou uma parceria com a Hacker Rangers, uma plataforma brasileira que utiliza gamificação para treinamento corporativo. O movimento sinaliza uma mudança tática na forma como as empresas encaram seu principal vetor de vulnerabilidade: o fator humano.
A tese é que os modelos tradicionais de conscientização — geralmente campanhas anuais, pontuais e de baixo engajamento — são insuficientes para fixar comportamentos seguros na rotina dos colaboradores. A aliança entre as duas empresas busca endereçar essa lacuna, integrando a conscientização contínua ao portfólio de serviços técnicos, como consultoria e monitoramento.
A muralha humana
O jargão corporativo há muito chama os funcionários de “firewall humano”, mas a realidade é que esta costuma ser a camada mais porosa da defesa digital. A engenharia social e o phishing não exploram falhas de software, mas de psicologia e atenção. A proposta de plataformas como a Hacker Rangers é transformar essa vulnerabilidade em uma competência, usando mecânicas de jogos.
Em vez de um seminário obrigatório, os colaboradores participam de “temporadas” com missões, desafios e rankings. Microtreinamentos sobre como identificar um e-mail falso ou a importância de senhas fortes são entregues em pílulas, buscando criar um hábito. A lógica é substituir o medo da punição pelo estímulo da competição e da recompensa, tornando a segurança parte da cultura, e não uma obrigação esporádica.
Do compliance ao comportamento
Para além do engajamento, a abordagem traz um benefício estratégico: a geração de métricas. A plataforma permite que gestores acompanhem o desempenho e a evolução dos colaboradores em tempo real, transformando o abstrato “nível de conscientização” em um indicador de performance. “Segurança não pode depender apenas das ferramentas”, afirmou Wesney Bolzan Silva, CEO da TBRsafe, na reportagem original.
Esses dados são valiosos não apenas para a gestão de risco, mas também para fins de compliance e auditoria. Demonstrar um programa de treinamento contínuo e mensurável fortalece a posição da empresa em relação a regulações como a LGPD. A parceria permite que a TBRsafe ofereça uma solução que integra tecnologia, processos e, crucialmente, o acompanhamento do comportamento das pessoas.
A mudança de fundo é tratar o colaborador não mais como um passivo a ser treinado reativamente, mas como um sensor ativo na estratégia de defesa. A gamificação funciona como a interface para manter esse sensor calibrado e engajado, transformando a segurança de um evento anual em um processo contínuo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





