A nova geração de agentes de inteligência artificial já consegue executar tarefas complexas em ambientes corporativos. O problema: eles não conversam entre si, não possuem mecanismos de confiança e não podem ser auditados quando algo dá errado. Essa lacuna fundamental na infraestrutura está abrindo um novo mercado, com startups correndo para construir os trilhos sobre os quais a economia de agentes irá operar, segundo reportagem da VentureBeat.

O desafio transcende a simples automação. Trata-se de um problema de governança e sistemas distribuídos. Sem uma camada de orquestração e segurança, os agentes de IA operam em um “confinamento solitário digital”, incapazes de colaborar ou ter suas permissões gerenciadas. A aposta é que o valor real não virá apenas dos agentes, mas da infraestrutura que os tornará confiáveis e escaláveis.

A Torre de Babel digital

O primeiro obstáculo é a comunicação. Plataformas como Slack ou Discord, desenhadas para humanos, não servem para a interação entre máquinas. Startups como a BAND estão construindo uma camada de coordenação para sistemas multiagentes. O objetivo, segundo seu CTO, Vlad Luzin, é criar um “espaço conversacional” onde agentes possam se descobrir, recrutar outros para ajudar, delegar subtarefas e compartilhar resultados em tempo real.

Essa infraestrutura de transporte abstrai a comunicação, permitindo que agentes conversem através de diferentes canais e plataformas. A ideia é viabilizar fluxos de trabalho autônomos que podem durar horas, com a capacidade de humanos entrarem na conversa para supervisionar ou intervir. É a criação de um sistema nervoso para a colaboração entre IAs.

Segurança e o dilema da confiança

O segundo pilar é a segurança e a auditoria. A velocidade dos ataques cibernéticos, já potencializada por agentes maliciosos, superou a capacidade de resposta humana. A Conifers, outra startup do setor, busca tornar as próprias operações de defesa “agênticas”, integrando inteligência, detecção e resposta para operar na velocidade das máquinas. Segundo Tom Findling, seu CEO, o objetivo é reduzir o tempo de contenção de horas para minutos.

Paralelamente, a Raindrop AI ataca o problema da auditoria. À medida que os agentes se tornam mais capazes, seus erros se tornam mais catastróficos. A empresa cria um “log de auditoria” para agentes em produção, permitindo não apenas identificar falhas críticas, mas também simular correções com base em dados históricos para garantir que um conserto não introduza novos efeitos colaterais.

Para que os agentes de IA deixem de ser experimentos promissores e se tornem peças centrais da operação corporativa, a confiança é inegociável. As empresas que constroem essa camada de governança apostam que o mercado para os “babás” dos agentes será tão grande quanto o dos próprios agentes.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · VentureBeat