A Ágora Investimentos ajustou sua carteira recomendada de small caps para setembro com um movimento cirúrgico no setor imobiliário: saem as ações da Cury (CURY3), entram os papéis da Cyrela (CYRE3). A mudança, segundo a corretora, foi motivada pela busca por maior liquidez. O portfólio mantém Copasa (CSMG3), JHSF (JHSF3), OceanPact (OPCT3) e Smart Fit (SMFT3), cada uma com 20% de peso.
O movimento é um estudo de caso sobre gestão de risco. Mesmo com uma visão "construtiva" sobre a tese da Cury, a preferência pela Cyrela sinaliza que, no cenário atual, a capacidade de negociar um ativo com agilidade pode pesar tanto quanto seus fundamentos de longo prazo.
A liquidez como critério
A justificativa oficial da Ágora — priorizar um nome de maior liquidez — revela uma postura tática. Em vez de uma mudança de convicção sobre o segmento de baixa renda, onde a Cury é forte, a troca sugere uma camada extra de segurança. A escolha da Cyrela, no entanto, não é apenas defensiva.
A corretora aponta a combinação de alta rentabilidade (ROE próximo de 21%), melhora na geração de caixa e um valuation considerado descontado como pilares para a inclusão. O movimento é, portanto, uma busca por liquidez qualificada, atrelada a fundamentos sólidos e um potencial gatilho de valorização, como a venda de um portfólio de R$ 2,14 bilhões para um fundo imobiliário.
O que a carteira sinaliza
O portfólio da Ágora para small caps continua a ser um mosaico da economia brasileira. As posições em saneamento (Copasa), fitness (Smart Fit) e serviços para o setor de óleo e gás (OceanPact) refletem apostas em diferentes vetores de crescimento. A manutenção da JHSF, focada em alta renda, e a entrada da Cyrela, com um portfólio mais diversificado, reforçam a exposição ao setor imobiliário.
A troca não abandona o setor, apenas recalibra a exposição dentro dele, favorecendo uma empresa com maior flexibilidade financeira e um perfil de negociação mais robusto na bolsa. É uma otimização de portfólio que reflete as condições de mercado.
No fim, a decisão da Ágora diz menos sobre uma suposta fraqueza da Cury e mais sobre a estratégia do gestor. Em um mercado que exige agilidade, a escolha entre dois bons ativos pode ser definida pela porta de saída mais ampla que um deles oferece.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





