O estado de São Paulo consolidou-se como o principal motor econômico do Airbnb no Brasil, registrando uma movimentação de R$ 34 bilhões ao longo de 2025. O dado, extraído da segunda edição do estudo “Airbnb: Impactos e Benefícios Econômicos no Brasil”, realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), revela que a presença da plataforma vai além da simples intermediação de estadias, funcionando como um catalisador de renda e emprego em diversos setores.

Segundo reportagem do InfoMoney, o impacto paulista cresceu 9% em relação ao ano anterior, enquanto a capital registrou uma expansão ainda mais expressiva, de 16%, atingindo R$ 11 bilhões movimentados. A metodologia de insumo-produto utilizada pela FGV demonstra como o gasto direto de hóspedes e a receita dos anfitriões se propagam pela economia local, beneficiando desde serviços de manutenção até o comércio varejista.

A dinâmica do ecossistema econômico

O impacto econômico do Airbnb é frequentemente analisado sob a ótica da descentralização da renda. Diferente do modelo hoteleiro tradicional, que concentra investimentos em grandes estruturas, a plataforma pulveriza o capital entre proprietários de imóveis, muitos dos quais utilizam a atividade como fonte complementar de recursos. Em São Paulo, quase 70% dos anfitriões de quartos privados declaram que essa não é sua ocupação principal, o que sugere uma resiliência financeira das famílias envolvidas.

Essa capilaridade permite que o dinheiro circule em bairros fora dos eixos turísticos convencionais, estimulando o consumo em pequenos negócios locais. A análise da FGV reforça que a locação por temporada atua como um mecanismo de transferência de valor para a economia real, integrando o turismo às cadeias produtivas regionais de forma orgânica e constante.

Mecanismos de geração de valor e emprego

O impacto no mercado de trabalho é um dos pilares mais relevantes do levantamento. Em 2025, a atividade sustentou mais de 208 mil postos de trabalho no estado de São Paulo, abrangendo profissionais de transporte, serviços de limpeza, manutenção e gastronomia. A lógica por trás dessa métrica é o efeito multiplicador, onde cada real gasto por um hóspede em uma reserva gera demandas sucessivas em outros elos da cadeia de serviços.

Além disso, a arrecadação tributária direta e indireta associada a essa movimentação atingiu quase R$ 3 bilhões apenas no estado. Esse volume de recursos, que antes poderia ser menos visível na economia formal, agora é contabilizado como parte integrante do desenvolvimento regional, provando que a digitalização do setor de hospedagem alterou permanentemente a estrutura de arrecadação e circulação de capital no turismo paulista.

Tensões e implicações regulatórias

Embora os números indiquem um benefício macroeconômico, a expansão do Airbnb traz desafios inerentes à convivência urbana e à regulação do setor. A pressão sobre o mercado imobiliário e a necessidade de políticas públicas que equilibrem a oferta de moradia com o crescimento do turismo de curta temporada são temas que permanecem no radar de reguladores e gestores públicos. A escala do impacto, na casa dos bilhões, exige uma gestão atenta para que o crescimento não gere externalidades negativas, como a gentrificação de áreas centrais.

Para o ecossistema brasileiro, o caso de São Paulo serve como referência para entender a escala que a economia compartilhada atingiu. A integração entre a tecnologia da plataforma e a infraestrutura local sugere que o futuro do turismo dependerá da capacidade de cidades em absorver esse fluxo, garantindo que os ganhos econômicos sejam acompanhados por uma infraestrutura urbana eficiente e inclusiva.

Perspectivas para o mercado de viagens

O que permanece em aberto é a sustentabilidade desse ritmo de crescimento frente a possíveis mudanças no perfil do viajante e nas políticas de zoneamento urbano. Observar como a plataforma se adaptará para manter o crescimento enquanto lida com pressões regulatórias será fundamental para entender o próximo ciclo de expansão. A consolidação do modelo de “super app” de viagens, mencionado pela empresa, pode ser o próximo passo para diversificar as fontes de receita e aprofundar a integração com o setor de serviços.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney