Com margens de lucro de apenas 2,5% e as complexidades inerentes à física da aviação, a Alaska Air Group adota uma abordagem estratégica para investir em tecnologias de baixo carbono. Ryan Spies, diretor de sustentabilidade da companhia, apresentou as principais apostas da empresa em voos de baixo carbono durante o Climate Week NYC. A estratégia da Alaska Air se divide em duas frentes principais: o desenvolvimento e uso de combustíveis de aviação sustentáveis (SAF) e o investimento em aeronaves de nova geração.

Combustível Sustentável como Prioridade

A aviação responde por cerca de 2,5% das emissões globais de dióxido de carbono, mas sua contribuição para o aquecimento global pode chegar a 5%, segundo especialistas. O SAF, produzido a partir de fontes como óleo de cozinha usado, resíduos agrícolas e florestais, e carbono capturado, é visto como a solução mais imediata para reduzir o impacto ambiental. Atualmente, o SAF representa menos de 1% do combustível utilizado na aviação global, evidenciando a necessidade de escalar sua produção.

Para enfrentar essa escassez, a Alaska Air, juntamente com outras companhias aéreas e a Breakthrough Energy Ventures de Bill Gates, co-fundou um investimento de US$ 150 milhões para apoiar inovadores em SAF. O fundo se beneficia da expertise da Breakthrough para identificar as matérias-primas mais viáveis, as químicas mais eficientes e os modelos econômicos mais robustos. A volatilidade do mercado de petróleo, exacerbada por conflitos internacionais, tem tornado o SAF um concorrente de preço cada vez mais competitivo em relação ao querosene de aviação convencional, além de reforçar o interesse em independência energética para os EUA.

Inovação em Aeronaves para o Futuro

Paralelamente ao investimento em SAF, a Alaska Air está apostando em projetos de aeronaves que prometem maior eficiência de combustível. Um exemplo notável é o investimento na JetZero, que desenvolve uma aeronave de corpo misto (blended-wing body) com o objetivo de reduzir o consumo de combustível pela metade. A JetZero planeja voar um protótipo no próximo ano e iniciar operações comerciais em 2030. Esse design aerodinâmico avançado tem o potencial de revolucionar a eficiência energética na aviação comercial.

Outro investimento significativo é na Ampaire, descrita por Spies como "o Prius da aviação" devido ao seu sistema de propulsão híbrido-elétrico. Embora atualmente projetado para aeronaves menores de oito assentos, o potencial de aplicação em rotas regionais e insulares, como no Havaí, é promissor. Essas inovações, embora menos visíveis para o público geral do que a mudança para SAF, representam avanços incrementais cruciais para a descarbonização do setor.

Desafios e Perspectivas

A transição para uma aviação de baixo carbono é um processo lento e desafiador, principalmente devido às leis da física que regem o voo. A necessidade de equilibrar margens operacionais apertadas com investimentos em tecnologias emergentes exige decisões calculadas e parcerias estratégicas. A Alaska Air demonstra uma visão de longo prazo ao diversificar seus investimentos entre combustíveis sustentáveis e novas arquiteturas de aeronaves.

O Caminho à Frente

O futuro da aviação sustentável dependerá da capacidade de escalar a produção de SAF, da viabilidade econômica e técnica de novas aeronaves e da colaboração entre companhias aéreas, fabricantes, governos e investidores. A jornada da Alaska Air reflete a complexidade e a urgência da descarbonização em um dos setores mais difíceis de transformar. As próximas etapas envolverão a validação em larga escala dessas tecnologias e a integração em rotas comerciais globais.

A estratégia da Alaska Air para voos de baixo carbono, focada em SAF e aeronaves de nova geração, ilustra um caminho pragmático para a descarbonização da aviação, enfrentando os desafios físicos e econômicos do setor. A companhia busca liderar a transição, equilibrando inovação com a necessidade de viabilidade operacional.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · GeekWire