Em um continente onde a busca por um lar digno se torna cada vez mais árdua, a Espanha emerge como um dos epicentros de uma crise imobiliária que assola a Europa. A cada semana, milhões de anúncios de aluguel espalhados pelo continente pintam um quadro sombrio, onde a esperança de encontrar um lugar acessível se esvai diante de cifras que consomem uma fatia cada vez maior do salário médio. A Red Europea De Observación Sobre Desarrollo y Cohesión Territorial, em seu projeto House for All, buscou trazer luz a essa complexa questão através de três mapas que, com cores vibrantes e contrastantes, revelam a dura realidade de quem vive de aluguel.

Os mapas, que consideram imóveis de 25, 45 e 75 metros quadrados, utilizam uma escala de cores que vai do turquesa — indicando que o aluguel custa menos de um terço da renda média local — ao preto, que sinaliza um custo superior a dois terços. A boa notícia, se é que se pode chamar assim, é que para os apartamentos menores, de 25 metros quadrados, a maior parte da Europa se apresenta em tons de turquesa. Países como os nórdicos, bálticos, e partes da França, Alemanha e Itália parecem oferecer um refúgio acessível para quem busca morar sozinho. No entanto, mesmo nesse cenário, o sul da Espanha, em regiões como Andaluzia, Múrcia e a Comunitat Valenciana, já exibe tons amarelos, prenunciando um esforço financeiro considerável.

É com o aumento do tamanho do imóvel que a situação se agrava. Para um apartamento de 45 metros quadrados, o tamanho mais comum na Europa e mais realista para um indivíduo, o mapa se colore de preocupação. Portugal e o sul da Espanha, em particular, mostram-se em tons amarelos e até vermelhos, onde o aluguel pode consumir entre um terço e dois terços da renda média, e em algumas áreas, ultrapassando esse limite. Grandes cidades na Irlanda, Alemanha e Áustria também enfrentam desafios semelhantes. O leste europeu, com Polônia e Hungria à frente, apresenta um cenário ainda mais desafiador, com o amarelo e o preto dominando, reflexo tanto dos altos custos de moradia quanto dos baixos rendimentos locais.

O cenário mais desolador se revela nos imóveis de 75 metros quadrados. Em quase todas as grandes cidades europeias e em zonas turísticas de destaque, alugar um imóvel desse porte se torna uma tarefa quase impossível para quem vive de um único salário. A Espanha, mais uma vez, se encontra em uma posição desfavorável, com vastas áreas, especialmente no litoral e nas metrópoles, marcadas por tons de amarelo e preto, indicando que o esforço financeiro para manter um lar é insustentável para a maioria. A Europa, em sua diversidade, mostra que a acessibilidade à moradia não é um privilégio universal, e para muitos, especialmente na Espanha, o sonho de um lar se transforma em um pesadelo financeiro.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka