A Amazon, conhecida por sua vasta operação de varejo de moda, está redefinindo seu papel na indústria ao liderar um ambicioso esforço para tornar a moda sustentável financeiramente viável. Através da The Climate Pledge, iniciativa de neutralidade de carbono cofundada em 2019, a gigante do e-commerce lança a Climate Pledge Fashion Coalition. Esta nova frente une mais de 60 marcas, fabricantes, varejistas e inovadores de materiais, incluindo nomes como Stella McCartney, Brooks Running, Anna Sui, Selfridges e Vestiaire Collective, além de players-chave em materiais sustentáveis como Circ, Unspun e Bananatex. O apoio do Fórum Econômico Mundial e da organização de conservação florestal Canopy confere peso adicional à iniciativa.

O Desafio da Moda Sustentável

A escolha da moda como foco não é acidental. Sally Fouts, diretora da The Climate Pledge na Amazon, destaca que a indústria é uma grande emissora de carbono e que as coalizões existentes não têm avançado significativamente. "A moda é algo bastante pessoal para as pessoas", afirma Fouts, contrastando com setores como o de transporte, que, embora emissores, não possuem a mesma intimidade com o consumidor. O principal obstáculo para a adoção de materiais sustentáveis, como fibras recicladas ou couro à base de cogumelos, reside nas margens apertadas da indústria. Marcas muitas vezes hesitam em pagar o prêmio por esses materiais, enquanto os produtores de inovações sustentáveis não conseguem reduzir custos sem escala de produção, que por sua vez depende de grandes encomendas. A coalizão busca quebrar esse ciclo vicioso ao agregar a demanda de seus membros, garantindo aos fornecedores os volumes necessários para escalar e, consequentemente, baixar os preços.

Mecanismos para Escalar e Custos Acessíveis

A Climate Pledge Fashion Coalition oferecerá aos membros acesso a uma biblioteca de mais de 100 soluções de descarbonização, com orientações sobre o uso de cada fibra e um diretório de fornecedores. Paralelamente, em colaboração com o Fórum Econômico Mundial, a coalizão explorará modelos de financiamento que conectem instituições financeiras a investidores privados para apoiar o desenvolvimento de materiais promissores. A visão é clara: alcançar a paridade de custo, ou até mesmo preços inferiores aos dos materiais convencionais, à medida que os volumes de produção aumentam. Peter Majeranowski, CEO da Circ, expressa otimismo, citando o histórico da Amazon em criar demanda em outros setores, como cimento de baixo carbono e vans elétricas para a Rivian. Os signatários da coalizão se comprometem a atingir a neutralidade de carbono até 2040, medir e reportar emissões regularmente, e priorizar a descarbonização de suas operações, com a opção de usar créditos de carbono credíveis para as emissões residuais.

A Lacuna da Fast Fashion e o Papel da Amazon

Um ponto de atenção é a predominância de marcas de luxo entre os membros iniciais, enquanto o grosso do mercado é dominado pela fast fashion, incluindo muitas das marcas próprias da Amazon. Fouts acredita que a adesão de marcas de menor custo virá naturalmente com a redução dos preços dos materiais sustentáveis. "O objetivo é tornar esses materiais acessíveis para fabricantes e empresas de moda de menor preço", explica. Essa lógica, contudo, pode isentar temporariamente os maiores poluidores. A Amazon, com seu imenso poder de compra, poderia atuar como cliente âncora para viabilizar esses materiais. No entanto, suas próprias marcas de vestuário ainda não lideram essa transição. Fouts assegura que a empresa avaliará a incorporação de novos materiais onde fizer sentido, como farão os demais membros da coalizão.

Um Sinal de Renovado Compromisso

A iniciativa surge em um momento em que o movimento de sustentabilidade na moda parece ter perdido força. Fouts observa, no entanto, que as 700 empresas que compõem a The Climate Pledge geral não estão desacelerando. Investimentos em clima levam décadas para gerar frutos, e um trabalho substancial tem ocorrido nos bastidores. A coalizão representa um esforço coordenado para superar barreiras de custo e escala, um passo crucial para que a moda, um setor com forte apelo pessoal e ambiental, alinhe suas práticas com as metas climáticas globais, promovendo um futuro onde a sustentabilidade não seja um luxo, mas uma norma acessível. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company