Para profissionais de marketing que planejam seus orçamentos para 2027, uma nova opção entrou no radar: os anúncios no ChatGPT. A proposta é atraente, prometendo inventário barato e baixa concorrência em uma plataforma que redefiniu a interação com inteligência artificial. Contudo, a oportunidade tática de curto prazo colide com uma realidade estratégica desafiadora, onde a dominância parece pender para outro lado.
A tese central, conforme uma análise do Search Engine Land, é que o ChatGPT Ads merece um teste, mas não uma aposta de longo prazo. O motivo é simples e remete a uma das leis mais antigas da tecnologia: a distribuição vence. Enquanto a OpenAI precisa conquistar cada usuário, o Google integra seu modelo Gemini a um ecossistema que já domina o dia a dia de bilhões de pessoas, de buscas a sistemas operacionais.
A Guerra dos Browsers, revisitada
A disputa atual entre as plataformas de IA ecoa a “guerra dos browsers” do final dos anos 2000. Naquela analogia, o ChatGPT ocupa a posição do Internet Explorer: o pioneiro que definiu a categoria, mas agora precisa lutar para se manter relevante. O Claude, da Anthropic, se assemelha ao Firefox, um produto bem-visto por um nicho leal, mas com alcance estruturalmente limitado. Já o Gemini, do Google, assume o papel do Chrome: não necessariamente por ser um produto superior em todos os aspectos, mas por estar integrado a uma máquina de distribuição imparável.
Os dados reforçam essa leitura. Gráficos da SensorTower mostram que, após um crescimento explosivo, o uso ativo do ChatGPT estagnou a partir de meados de 2025, enquanto o Gemini desenha uma linha de crescimento constante. A razão é estrutural. O Gemini está presente na Busca do Google, no Android, no Workspace e no YouTube. Ele não precisa pedir permissão para aparecer. O ChatGPT, por outro lado, depende de downloads e da formação de novos hábitos, um esforço de aquisição muito mais custoso.
Onde está o foco da OpenAI?
Outros sinais indicam que a publicidade não é o centro da estratégia da OpenAI. Em 2024, o CEO Sam Altman chegou a classificar o modelo de anúncios como um “último recurso”. O fato de a empresa ter lançado a plataforma mesmo assim sugere uma necessidade de receita, não uma mudança de convicção estratégica. A movimentação na alta liderança da companhia reforça essa percepção: as contratações recentes, como a da ex-CEO do Slack, Denise Dresser, e do veterano de segurança corporativa, Dali Rajic, apontam para um foco claro no mercado B2B, não em mídia.
As próprias projeções de receita da OpenAI, segundo a Bloomberg, estimam que, de US$ 280 bilhões em faturamento até 2030, a maior parte (US$ 180 bilhões) virá de produtos corporativos e APIs, não de anúncios. A publicidade, nesse cenário, funciona como uma ponte para gerar caixa, enquanto a grande aposta está em vender mais tokens e soluções para empresas, como o recém-lançado ChatGPT Work.
Nada disso invalida o teste. A oportunidade tática é real. Com um único anunciante, a BestMoney, respondendo por mais de 13% de todos os anúncios na plataforma, segundo um estudo da SE Ranking, fica claro que a concorrência é mínima. Para os profissionais de marketing, isso se traduz em custos mais baixos e na chance de construir uma vantagem de conhecimento antes que o canal se torne saturado e caro. A recomendação é clara: teste o ChatGPT Ads, aprenda com ele, mas não confunda uma tática inteligente com uma nova estratégia de longo prazo. A força gravitacional do mercado ainda reside em Google e Meta.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Search Engine Land





