A exposição "Shimmer: Dreaming the Posthuman", em cartaz no Frist Art Museum em Nashville, Tennessee, propõe uma imersão na complexa teia de relações que une a humanidade ao mundo mais-que-humano. Com curadoria de Mark Scala, a mostra reúne 17 artistas que, através de ferramentas que vão do analógico às tecnologias emergentes como inteligência artificial, realidade aumentada e captura de movimento, buscam desconstruir a noção de excepcionalismo humano. A premissa é clara: a visão antropocêntrica nos leva a negligenciar a necessidade urgente de cuidar do ecossistema que nos cerca.
Os artistas em "Shimmer" evocam uma abordagem que lembra os surrealistas, explorando o poder transformador do maravilhoso, do estranho e do imprevisível. Suas criações fluidas e mutáveis, onde imagens se transformam e dançam, criam arquétipos psicologicamente carregados que ressoam em um novo inconsciente coletivo. A exposição é dividida em três seções principais que abordam diferentes facetas dessa interconexão.
Biologia e Ecologia: O Drama da Existência
A primeira seção mergulha em perspectivas biológicas e ecológicas, abordando temas cruciais como a extinção de espécies, os processos evolutivos e o emaranhamento interespécies. Artistas como Ian Cheng e Alexandra Daisy Ginsberg utilizam a tecnologia para dar forma visual a conceitos abstratos sobre a vida no planeta, questionando a fragilidade dos ecossistemas e o impacto das ações humanas. A ideia é apresentar a natureza não como um recurso a ser explorado, mas como um sistema complexo e interdependente do qual fazemos parte.
Psicologia e Metamorfose: O Eu em Transformação
A segunda seção explora o campo da psicologia, apresentando narrativas lúdicas de metamorfose. Aqui, as fronteiras entre o humano e o não-humano se dissolvem de maneira criativa e, por vezes, perturbadora. Vemos pessoas se transformando em micróbios ou em formas de vida mais simples, sonhos se materializando em poesia visual e robôs assumindo a persona de dançarinos furiosos. Essa abordagem serve como um contraponto vital e alegre à dor e às complexidades do mundo contemporâneo, sugerindo que a transformação e a adaptação são chaves para a resiliência.
Ontologia: A Filosofia do Ser e a Terra
Na terceira seção, o foco se volta para a ontologia, a filosofia do ser. Os artistas buscam reavivar a conexão ancestral da humanidade com a Terra, muitas vezes transcendendo as tradições do pensamento ocidental moderno. Através de novas tecnologias, eles criam pontes entre sistemas de crenças antigos e contemporâneos, convidando o espectador a reconsiderar sua própria existência dentro de um contexto cósmico e ecológico mais amplo. A arte se torna um veículo para redescobrir um senso de pertencimento e interdependência com o planeta.
"Shimmer: Dreaming the Posthuman" não é apenas uma celebração da tecnologia na arte, mas um chamado à reflexão sobre o nosso lugar no mundo. Ao desafiar a visão antropocêntrica e propor um diálogo com o mais-que-humano, a exposição nos convida a repensar a nossa relação com a natureza e a abraçar uma perspectiva mais integrada e responsável.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Hyperallergic





