A Ascenty, uma das principais operadoras de data centers no Brasil, projeta uma expansão significativa em seus negócios, visando quadruplicar de tamanho nos próximos três anos. Esse crescimento ambicioso é impulsionado pela crescente demanda por serviços de nuvem e inteligência artificial (IA), além do recente Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), sancionado pelo presidente Lula.
O novo regime tributário isenta empresas de data centers de PIS/Pasep, Cofins e IPI na aquisição de equipamentos de TI, tanto importados quanto produzidos nacionalmente. A medida visa reduzir os custos operacionais e de implantação, tornando o Brasil mais competitivo em relação a outros mercados globais. Christopher Torto, CEO da Ascenty, destaca que o principal entrave para o setor no país não era a disponibilidade de energia, mas sim o alto custo de operação em comparação com o exterior. "O grande empecilho do Brasil não era energia, era o custo de operar aqui versus o custo de operar lá fora", afirmou Torto ao InfoMoney.
Competitividade impulsionada pela IA e Redata
A demanda por infraestrutura de data centers tem sido acelerada pela proliferação da inteligência artificial e pela computação em nuvem. A Ascenty já vinha experimentando um crescimento robusto, mas a aprovação do Redata deve catalisar ainda mais os investimentos. A companhia planeja um novo data center em Sumaré, no interior de São Paulo, com um investimento de US$ 1 bilhão. Este centro será dedicado a um único hyperscaler, como Google, Amazon ou Microsoft, embora a identidade do cliente permaneça confidencial.
Este projeto é um indicativo do plano da Ascenty de alcançar 1 gigawatt (GW) em potência dedicada aos seus data centers em três anos, o que demandará cerca de 1 milhão de metros quadrados em novas instalações. A expectativa é que o Brasil, com os incentivos do Redata e o custo competitivo de energia, atraia mais investimentos, seguindo a projeção de empresas como a Nvidia, que já apontam o país como um local viável para a implementação de projetos de IA.
Desafios e oportunidades na infraestrutura de IA
A evolução da inteligência artificial impõe novos desafios à infraestrutura de data centers. Os racks que abrigam as GPUs para processamento de IA são cada vez mais pesados e consomem uma quantidade de energia significativamente maior. Enquanto servidores tradicionais para nuvem consomem cerca de 8 quilowatts (kW), aqueles dedicados à IA podem chegar a 210 kW. Isso exige estruturas de piso mais resistentes e sistemas de refrigeração mais avançados, como a refrigeração líquida, em substituição à refrigeração a ar.
Torto observa que, apesar do potencial do mercado brasileiro, muitos projetos de data centers ainda são especulativos e carecem de contratos firmes com clientes. "Vamos começar a ver nos próximos seis meses anúncios de projetos com contratos. Infelizmente, muitos data centers hoje anunciam projetos, mas não têm clientes", alertou o executivo. A Ascenty, por outro lado, busca garantir a contratação antes de anunciar novos empreendimentos, buscando assegurar a viabilidade econômica de suas expansões.
Implicações para o ecossistema e o futuro da infraestrutura
O investimento em infraestrutura de data centers tem implicações importantes para o ecossistema tecnológico brasileiro. A disponibilidade de capacidade de processamento e armazenamento local pode reduzir a latência para serviços digitais, impulsionar o desenvolvimento de novas aplicações e atrair mais empresas de tecnologia para o país. A expansão da Ascenty, com foco em hyperscalers, sugere um movimento de consolidação e profissionalização do setor no Brasil.
Embora a energia não seja mais vista como um gargalo principal, questões relacionadas à transmissão de energia são monitoradas. "A partir de 2029 não vai ser um problema tão grande porque há muito reforço das linhas de transmissão agora. Governo, Anatel e ONS estão olhando para isso, tentando trazer investimentos mais rápido", comentou Torto. A colaboração entre governo e setor privado será crucial para garantir que a infraestrutura de energia acompanhe o ritmo acelerado de crescimento dos data centers.
Perguntas em aberto sobre a expansão
O cenário para os data centers no Brasil é promissor, mas algumas questões permanecem em aberto. A velocidade com que os contratos com hyperscalers serão firmados para os novos projetos da Ascenty determinará o ritmo exato da expansão. Além disso, a capacidade do país de manter sua competitividade tributária e energética a longo prazo será fundamental para atrair e reter investimentos globais.
Será interessante observar como a Ascenty navegará a complexidade de construir e operar instalações de grande porte, garantindo a eficiência energética e a segurança dos dados. A adaptação contínua às novas tecnologias de IA e a capacidade de responder às demandas específicas dos hyperscalers serão fatores decisivos para o sucesso da companhia. A expansão da Ascenty pode servir como um barômetro para o desenvolvimento do setor de infraestrutura digital no Brasil.
A aprovação do Redata e a demanda crescente por IA pintam um quadro otimista para a Ascenty e o mercado brasileiro de data centers. A empresa aposta na combinação de incentivos fiscais e necessidades tecnológicas para consolidar sua posição e expandir significativamente sua atuação. Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





