A Autodesk, gigante de software cujo nome é quase sinônimo de projeto de arquitetura e engenharia, anunciou uma nova ferramenta que usa inteligência artificial para repensar a essência de seu próprio negócio. Batizado de Autodesk Assistant, o sistema foi apresentado durante a conferência anual da companhia, a Autodesk University.

A proposta ataca um paradoxo central: os modelos 3D (BIM), que trouxeram precisão sem precedentes para a construção civil, também geraram uma camada de complexidade que exige alta especialização e abre margem para erros caros. A leitura é que, com o Assistant, a Autodesk busca ser a solução para um problema que ela mesma ajudou a escalar, usando IA para colocar a complexidade técnica em segundo plano.

Do software à solução

O objetivo, segundo o CEO Andrew Anagnost, é fazer com que a construção do modelo digital deixe de ser o foco. “Queremos que os usuários finais, os designers, os planejadores, iterem em seu problema, não em seu software de design”, afirmou ele, conforme reportagem da Fast Company. Para isso, a empresa desenvolveu um modelo de IA proprietário, o Neural CAD, que compreende a geometria tridimensional de forma nativa.

O Autodesk Assistant funciona como uma aplicação independente que orquestra todo o projeto. Ele integra diferentes fontes de dados e modelos de IA para responder a perguntas, executar tarefas e analisar cenários, tudo de forma invisível ao usuário. A transição é de um cenário “assistido por IA” para um “centrado em IA”, onde a plataforma se torna o principal ponto de interface do projeto.

O projeto como conversa

Na prática, a ferramenta transforma a gestão de um projeto em um diálogo. Em uma demonstração, um arquiteto pedia verbalmente para avaliar o impacto de aumentar um edifício. O Assistant não só resumiu as implicações para o cronograma e o custo, como também alterou o modelo 3D em tempo real e notificou os responsáveis. O sistema foi além, identificando um problema secundário que a mudança criaria — a necessidade de um novo tipo de suporte para a fachada — e prontamente desenhou uma peça sob medida.

Essa capacidade de antecipar e resolver problemas em cascata sugere uma mudança fundamental no fluxo de trabalho. Em vez de uma série de tarefas manuais e isoladas em softwares distintos, o processo de design e construção pode se tornar mais fluido e integrado, mediado por uma inteligência central que conecta todas as pontas.

O movimento posiciona a Autodesk não mais apenas como uma fornecedora de ferramentas, mas como a plataforma de inteligência para todo o ciclo de vida de uma edificação. A questão que fica no ar é como essa automação cognitiva irá remodelar profissões cuja expertise reside, em grande parte, no domínio técnico dessas mesmas ferramentas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company Design