Ayé A. Aton, anteriormente conhecido como Robert Underwood, trilhou um caminho singular desde sua juventude em Kentucky até se tornar um protegido de Sun Ra nos anos 1960. Como percussionista na Arkestra de Ra, Aton mergulhou nas complexidades do espaço sideral e do Egito Antigo sob a tutela do ícone do Afrofuturismo. Essa jornada cósmica, no entanto, não foi seu destino final. Com o tempo, Aton direcionou seu foco para a arte visual como meio de investigação da cultura da África Ocidental e Central. Essa mudança representa um afastamento do cosmos de Ra em direção a uma exploração mais profunda e historicamente fundamentada de sua ancestralidade africana, uma fase que define sua carreira artística posterior.
A exposição "Ayé A. Aton: Image from the Past" celebra precisamente este período de sua carreira artística. Com uma seleção concisa, porém luminosa, de 16 pinturas criadas entre 2004 e 2012, a mostra oferece um vislumbre da evolução de Aton. Em um conjunto representativo de seis obras sobre papel, cada peça evoca a estética das máscaras da África Central e Ocidental, reinterpretadas através do estilo livre e expressivo de Aton. Os rostos aparecem fragmentados, compostos por formas curvas e amorfas que se movem contra um fundo marmorizado de acrílico. Elementos adicionais, como escudos padronizados em "Ngbaka People of the Congo" (2012), complementam as composições, mas é frequente a adição de formas geométricas que remetem ao cosmos ou figuras que sugerem animais alados ou espíritos ancestrais.
A transição de Aton do palco para o ateliê, e sua subsequente imersão nas artes visuais africanas, reflete uma busca por identidade e conexão. A sua passagem pela Arkestra de Sun Ra forneceu-lhe uma base para explorar temas de ancestralidade e futuro, mas a sua obra posterior demonstra um desejo de ancorar essa exploração em raízes históricas e culturais mais tangíveis. A arte de Aton, portanto, não é apenas uma expressão estética, mas um ato de redescobrimento e afirmação de suas origens africanas, utilizando a linguagem visual para reconectar com um legado ancestral.
Com reportagem de Brazil Valley
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