O rali da bolsa brasileira após o primeiro turno das eleições presidenciais impulsionou as projeções para a B3 (B3SA3). O UBS BB, em relatório divulgado recentemente, elevou seu preço-alvo para a operadora da bolsa de R$ 18,50 para R$ 26,50, mantendo a recomendação de compra. O banco suíço vê a B3 como uma das principais beneficiárias de um cenário macroeconômico mais favorável, com ajuste fiscal e juros em queda no Brasil.

O BTG Pactual também identifica potencial de ganhos nos resultados da B3. Uma simulação do banco sugere que a duplicação do volume financeiro médio diário negociado em seu modelo poderia elevar em cerca de 25% a estimativa de lucro líquido para 2027. Essa mudança nas perspectivas para a companhia reflete a aceleração recente dos negócios, embora a incorporação dessas novas premissas varie entre as instituições financeiras.

Otimismo do UBS BB com espaço para valorização

O UBS BB observa que as ações da B3 já acumulam uma valorização de aproximadamente 50% desde o final de agosto. Apesar de reconhecer que parte dessa melhora nas perspectivas já está precificada, o banco ainda enxerga um potencial de valorização adicional. O novo preço-alvo de R$ 26,50 representa uma alta potencial de cerca de 19% em relação aos R$ 22,28 de referência no relatório. Esse otimismo é sustentado pela mudança no ritmo das negociações, com o volume financeiro negociado em ações atingindo R$ 103 bilhões no primeiro pregão após a eleição, um salto considerável em relação à média diária de R$ 62 bilhões em outubro. O fluxo de capital estrangeiro também se destacou, com uma entrada líquida de R$ 13 bilhões em outubro, sendo R$ 10 bilhões no dia seguinte ao pleito, o maior ingresso diário registrado.

Os analistas do UBS BB atribuem essa melhora às expectativas de um cenário fiscal mais favorável, que contribui para a redução dos juros futuros e impulsiona os ativos brasileiros. A consequente valorização das empresas na bolsa tende a sustentar volumes de negociação mais elevados, criando um ciclo virtuoso para a B3. A elevação do preço-alvo também reflete a queda projetada nos juros e no custo de capital próprio, tornando o investimento na companhia mais atrativo.

BTG Pactual: Lucro maior, mas cautela prevalece

O BTG Pactual também notou o aumento expressivo no volume de negociações. O banco destaca que o volume financeiro médio diário de ações à vista em outubro aproximou-se de R$ 60 bilhões, superando significativamente os R$ 32,4 bilhões projetados em seu modelo para 2027. Uma análise de sensibilidade indica que um volume de R$ 58,4 bilhões, 80% acima da premissa atual, poderia elevar a estimativa de lucro líquido de 2027 em cerca de 20%. Caso o volume alcance R$ 64,9 bilhões, o dobro da projeção, o impacto positivo seria de aproximadamente 25%. Nesse cenário simulado, o preço-alvo para meados de 2027 subiria de R$ 19 para R$ 24. No entanto, o BTG Pactual ressalta que esses números são simulações e ainda não foram incorporados às projeções oficiais, considerando prematuro transformar alguns dias de negociações intensas em uma premissa de longo prazo. A recomendação atual permanece neutra, com preço-alvo de R$ 19.

XP como alternativa mais barata e com maior potencial

O BTG Pactual justifica sua preferência pela XP (XPBR31) como uma alternativa mais barata e com maior potencial de revisão positiva de lucros, especialmente em um cenário favorável para o Brasil. Segundo o banco, uma recuperação de apenas 0,10 ponto percentual na taxa de receita da XP, retornando a níveis observados anteriormente, já seria capaz de elevar o lucro por ação em cerca de 20%. Esse mesmo impacto na B3 exigiria um aumento de 80% no volume financeiro médio diário de ações, conforme a simulação do BTG. O banco também elogia os esforços do CEO da XP, Chris Egan, em simplificar a companhia, aprimorar o relacionamento com clientes e desenvolver novos produtos e tecnologias. A eleição é vista como o principal fator de curto prazo para o desempenho das ações da B3, mas o BTG sinaliza que revisará suas projeções para a operadora da bolsa caso o ritmo atual de negociações se mantenha.

Otimismo versus Cautela: O Futuro da B3

A análise das projeções de lucro e dos preços-alvo para a B3 revela um otimismo cauteloso no mercado financeiro. Enquanto o UBS BB aponta para um potencial de valorização significativo em um ambiente de juros mais baixos, o BTG Pactual mantém a cautela, preferindo outras avenidas de investimento como a XP e questionando a sustentabilidade do recente aumento de volume. A decisão de investimento na B3 dependerá, portanto, da capacidade dos investidores de ponderar o potencial de crescimento com os riscos inerentes a um cenário pós-eleitoral e de transição econômica. A sustentabilidade do atual volume de negociações, a efetividade das políticas fiscais futuras e a concorrência de plataformas como a XP serão cruciais para determinar o desempenho da operadora da bolsa a longo prazo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times