Longas filas de veículos se estenderam por postos de gasolina na ilha turística de Bali, na Indonésia, nesta semana, após a interrupção no fornecimento de combustíveis. A crise, que se arrasta desde domingo, é resultado de uma combinação de problemas técnicos, mau tempo e um aumento inesperado na demanda, segundo autoridades locais. A situação tem gerado frustração entre moradores e empresários, que dependem do transporte para o dia a dia e para a indústria do turismo.

A escassez não se deve a uma falta de suprimento de combustível ou a turbulências nos mercados globais de energia, mas sim a problemas domésticos de distribuição. Laode Sulaeman, diretor-geral de petróleo e gás do Ministério de Energia e Recursos Minerais, afirmou que a crise é "puramente uma questão de distribuição". Um navio-tanque que transportava combustível para Bali sofreu um problema na âncora ao se preparar para descarregar, atrasando as entregas para os principais terminais da ilha. Adicionalmente, mares agitados e mau tempo dificultaram o transporte de cargas para os terminais de Sanggaran, em Denpasar, e Manggis, no leste de Bali. O problema foi agravado pela alta demanda pelo combustível subsidiado Pertalite, significativamente mais barato que as opções não subsidiadas, e pela compra de pânico por parte dos motoristas, que temiam uma escassez prolongada.

As consequências são visíveis nas ruas. Em vários postos, placas de "Desculpe, sem combustível" foram afixadas, enquanto motoristas e motociclistas aguardavam em filas que se espalhavam pelas vias adjacentes. Made Marlianti, proprietária de uma loja de moda, relatou ter passado cerca de sete horas esperando por combustível sob o sol forte, descrevendo a situação como "um verdadeiro desperdício de tempo". Ela sugeriu que as autoridades deveriam ter gerenciado a situação de forma mais eficaz antes que ela escalasse. Autoridades de Bali asseguraram que os estoques nos depósitos permanecem suficientes, mas admitiram que as entregas aos postos foram lentificadas. A companhia estatal Pertamina informou que monitora de perto os suprimentos após a chegada de um navio-tanque com 18 milhões de litros de Pertalite e 2,5 milhões de litros de Pertamax. As imagens e vídeos que circularam na imprensa mostravam longas filas de motos, bombas de combustível ociosas e a presença de soldados para ajudar a gerenciar as multidões.

A crise em Bali ocorre em um contexto de desafios mais amplos para a Indonésia na garantia de importações de combustível, impactada por interrupções nas rotas de navegação globais. Apesar do peso fiscal crescente no orçamento do Estado, o presidente Prabowo Subianto tem mantido os preços dos combustíveis subsidiados firmes até o final do ano, visando conter a inflação e proteger o poder de compra das famílias. A gestão da cadeia de suprimentos em uma ilha turística como Bali exige um planejamento robusto e planos de contingência eficazes, especialmente diante de eventos climáticos ou técnicos que podem interromper o fluxo de mercadorias essenciais. A falta de comunicação clara e a lentidão na resposta agravaram o problema, transformando um desafio logístico em uma crise de abastecimento que afeta diretamente a economia local e a vida dos cidadãos.

A situação em Bali levanta questões sobre a resiliência da infraestrutura logística da Indonésia e a capacidade das autoridades de antecipar e mitigar os efeitos de disrupções. A dependência de combustível subsidiado, embora importante para a população, pode criar gargalos quando a demanda excede a capacidade de distribuição. A gestão de crises, especialmente em setores vitais como energia, requer agilidade e coordenação entre os diferentes órgãos governamentais e empresas estatais. A forma como a Indonésia lidará com essas vulnerabilidades logísticas em suas ilhas e em seu território continental será crucial para a estabilidade econômica e social do país.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune