O banco espanhol Banca March uniu-se à gestora Clearlake Credit Europe para lançar um novo veículo de investimento focado em financiamento alternativo. Batizado de ‘Clearlake Sub VI ELTIF’, o fundo de longo prazo mira empresas do chamado ‘middle market’ europeu, oferecendo instrumentos de dívida subordinada.

A iniciativa prevê que o Banca March coinvista, junto a seus clientes, até €75 milhões. O movimento sinaliza a crescente sofisticação e demanda por crédito privado, uma classe de ativos que ganha tração em um cenário de juros mais altos, onde o financiamento bancário tradicional pode se tornar mais restritivo. A aposta é em um nicho específico e com risco calculado.

A tese do crédito privado

A estratégia do fundo é cirúrgica: financiar entre 35 e 40 companhias na Europa Ocidental com Ebitda entre €20 milhões e €100 milhões, um segmento frequentemente grande demais para o venture capital tradicional e pequeno demais para os grandes bancos de investimento. Um critério adicional é que essas empresas já sejam respaldadas por firmas de private equity de primeira linha, o que adiciona uma camada de diligência e governança.

O foco setorial também revela uma busca por previsibilidade. O fundo priorizará empresas com modelos de negócio consolidados e forte geração de caixa, especialmente em setores considerados "defensivos e resilientes", como tecnologia e saúde. Os recursos serão direcionados para apoiar expansão, aquisições e reorganizações acionárias, com uma duração média por operação estimada entre três e quatro anos.

Estrutura e horizontes

Este é o oitavo fundo de Financiamento Corporativo gerido pela Clearlake Credit Europe, que já conta com cerca de €250 milhões comprometidos, incluindo a alocação do Banca March. A estrutura é de longo prazo, com a carteira de investimentos devendo ser completada até o final de 2029 e um horizonte de liquidação para o final de 2034.

Para os investidores do Banca March, o veículo representa uma porta de entrada para uma estratégia de investimento alternativa que, historicamente, tem gerado retornos sólidos para o banco. Desde 2008, a instituição já comprometeu mais de €4,2 bilhões em ativos alternativos, reportando um múltiplo de retorno de duas vezes sobre o capital investido em projetos ligados à economia real.

O movimento reforça a consolidação do crédito privado como um componente estratégico em portfólios de alta renda, oferecendo uma alternativa descorrelacionada dos mercados públicos e com potencial de retorno ajustado ao risco para quem tem um horizonte de investimento mais longo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España