Com a mudança das estações, as preferências de consumo de bebidas também se transformam. Para o outono, bartenders experientes apontam para uma guinada em direção a coquetéis mais robustos e com sabores inesperados, distanciando-se das opções mais leves e refrescantes do verão. A tendência é de um paladar que busca complexidade e um certo conforto, refletindo o clima mais ameno e os dias que começam a encurtar.

Sabores que aquecem e ingredientes frescos

Jenneca Younger, bartender principal do The Mothership em Milwaukee, observa um aumento significativo no interesse por coquetéis salgados, especialmente aqueles que incorporam produtos frescos. "Eu amo um coquetel salgado. Sinto que há um grande aumento nas minhas redes sociais sobre todos aqueles martinis de tomate", disse Younger. A popularidade de pedir um coquetel "sujo" (com salmoura de azeitona) também está em alta. Além disso, bartenders estão experimentando com purês de vegetais como pimentão shishito ou abóbora, integrando-os a clássicos como margaritas e gimlets. Essa abordagem não só adiciona uma camada de sabor inesperada, mas também alinha os drinks com uma busca crescente por ingredientes mais saudáveis e menos processados.

À medida que as temperaturas caem, há uma migração natural para destilados mais escuros e coquetéis à base de uísque. O Manhattan e o Boulevardier, por exemplo, ganham destaque em detrimento de opções mais leves. Chris Hewes, diretor de bebidas do Coast Range em Solvang, Califórnia, expressa um apreço particular por coquetéis de chá. A infusão de chás, como o chá tailandês com notas de baunilha, com uísque, conhaque, mezcal ou rum, permite extrair sabores complexos e aromáticos que complementam a estação.

Inovações em clássicos e o declínio da complexidade

Steve Bell, bartender principal do The Hitchcock em Nashville, nota um interesse crescente em variações do clássico Espresso Martini. Clientes estão pedindo versões com tequila ou rum, em vez da tradicional vodka, e até mesmo com bourbon, demonstrando uma busca por novas experiências sensoriais a partir de um familiar ponto de partida. Essa flexibilidade na escolha do destilado base reflete um desejo por personalização e uma quebra com as receitas rígidas.

Paralelamente, observa-se um movimento de simplificação em técnicas de preparo. "As pessoas querem variações de clássicos, não algo que pareça o Gordon Ramsay sentado na sua frente falando sobre todos os tipos de técnicas malucas", comentou Bell. Técnicas como fat-washing, infusões complexas e gastronomia molecular, que dominaram a cena nos últimos anos, estão cedendo espaço a uma abordagem mais direta e focada no sabor essencial do drink. Essa tendência sugere um retorno a um consumo mais consciente e menos ostensivo de técnicas de coquetelaria.

O que fica para trás e o que esperar

O Hugo Spritz, um coquetel de verão popular feito com prosecco, licor de flor de sabugueiro, água com gás e menta, está perdendo espaço. Younger o descreve como "aguado" e sugere alternativas como o French 75 ou o Death in the Afternoon, que oferecem mais punch e complexidade. Da mesma forma, os sabores de "pumpkin spice" (abóbora com especiarias), que saturaram o mercado nos últimos anos, estão sendo vistos com ceticismo. Hewes prefere buscar inspiração em ingredientes sazonais como cranberry, ruibarbo, batata-doce e sobremesas como cobblers, em vez de depender de fórmulas previsíveis.

As "tiny tinis" (mini martinis) também enfrentam ceticismo. Hewes acredita que, embora possam ser uma apresentação charmosa, a percepção de um drink pequeno pode frustrar o consumidor, que prefere opções de baixo teor alcoólico (low-ABV) ou sem álcool mais substanciais. Igualmente, coquetéis à base de pepino, que foram populares no verão, podem precisar de uma atualização. Hewes sugere ingredientes mais inesperados, como rúcula, que pode adquirir um sabor adocicado quando combinada com mel e complementa bem outros sabores outonais.

A transição das tendências de coquetéis para o outono reflete um amadurecimento no paladar do consumidor, que busca tanto o conforto de sabores familiares quanto a emoção da novidade. A ênfase recai sobre a qualidade dos ingredientes, a criatividade na combinação de sabores e uma abordagem mais equilibrada em relação ao teor alcoólico e à complexidade.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider