No coração pulsante de Xangai, onde o eco dos arranha-céus modernos se encontra com a solidez dos edifícios históricos, ergue-se um oásis de tranquilidade e sabor: a nova loja flagship da Basao. Este espaço, concebido pelo arquiteto japonês Keiji Ashizawa, não é apenas um ponto de venda para uma marca de chá chinesa, mas uma ode à própria essência da arquitetura que a rodeia. A intervenção de Ashizawa no distrito de Rockbund, uma área conhecida por seus edifícios históricos e pela meticulosa restauração liderada pelo renomado estúdio David Chipperfield Architects, busca uma simbiose perfeita entre o passado e o presente, entre a tradição do chá e a vanguarda do design.
A proposta de Ashizawa para a Basao transcende a mera funcionalidade de um espaço comercial. O arquiteto buscou criar um ambiente que dialogasse intimamente com o entorno, capturando a alma do Rockbund. "Ao projetar um interior, damos grande importância à compreensão da localização, história e relação do edifício com seus arredores", explica Ashizawa. A intervenção de David Chipperfield Architects no distrito serviu como um pano de fundo inspirador, um testemunho da importância de preservar e reinterpretar o legado arquitetônico. A partir dessa premissa, Ashizawa introduziu elementos que ecoam a arquitetura local, como arcos e detalhes repetidos, mas com uma linguagem contemporânea, utilizando estruturas e detalhes metálicos que conferem leveza e modernidade.
Um Diálogo com a Terra e o Tempo
O interior da Basao se desdobra em duas atmosferas distintas, mas complementares. Na área de varejo, o arquiteto se inspirou na arquitetura de terra batida de Fujian, província natal da marca Basao. O uso de um acabamento que remete a essa técnica ancestral confere ao espaço uma sensação terrena e acolhedora, uma conexão direta com a origem do chá e a cultura que o envolve. "Em vez de desenhar diretamente da sala de chá tradicional, exploramos o uso da terra, um material profundamente ligado à cultura do chá, como um elemento definidor do interior", detalha Ashizawa. Essa escolha material não é aleatória; ela busca evocar a autenticidade e a profundidade da cultura do chá, convidando os visitantes a uma experiência sensorial que vai além do paladar.
Em contraste, a área de café adota tons mais escuros e materiais como madeira, criando um ambiente íntimo e convidativo, comparado à sala de estar de um amigo. Essa dualidade de espaços, unidos pela mesma visão arquitetônica, permite que o visitante transite entre a descoberta dos produtos e o relaxamento em um ambiente pensado para o deleite. A escolha de materiais como madeira e aço é complementada por um piso de tijolos na área de varejo, um material comum na arquitetura histórica do Rockbund, que ancora o interior ao contexto urbano, enquanto um piso de madeira na área de café oferece uma transição suave para um espaço mais voltado ao convívio.
Detalhes que Contam Histórias
Cada elemento na Basao parece ter sido cuidadosamente selecionado para contar uma história. O piso de tijolos, com seu padrão regular, cria um ritmo visual que harmoniza o material histórico com o design contemporâneo. A paleta de cores claras na área de varejo, realçada pela luz natural que entra pelas janelas do chão ao teto, contrasta com os tons mais profundos da área de café, criando um jogo sutil de luz e sombra. O uso de acabamentos metálicos em tom bronze é uma referência direta ao cobre, material historicamente empregado em utensílios tradicionais chineses de chá, adicionando uma camada sutil de conexão com a cultura milenar.
Nas paredes da área de chá, obras de arte tradicionais chinesas em laca, conhecidas como Da Qi Hua, adornam o espaço. Essas peças não são meros elementos decorativos; elas refletem a identidade da marca Basao e foram escolhidas para harmonizar com a atmosfera geral do ambiente. A integração dessas obras de arte com o design arquitetônico reforça a proposta de Ashizawa de criar um espaço que seja ao mesmo tempo moderno e profundamente enraizado na tradição chinesa.
Um Refúgio de Calma na Metrópole
Em uma cidade tão vibrante e dinâmica quanto Xangai, a criação de um espaço que ofereça um refúgio de calma, mantendo-se conectado ao seu entorno, é um feito notável. A Basao, sob a ótica de Keiji Ashizawa, emerge como um exemplo de como a arquitetura pode servir não apenas como um palco para o comércio, mas como um veículo para a preservação cultural e a experiência sensorial. A oportunidade de criar essa experiência através da cultura do chá foi, para o arquiteto, uma das partes mais gratificantes do projeto.
A loja da Basao em Xangai, portanto, não é apenas um destino para os amantes de chá, mas um testemunho do poder do design em evocar memórias, celebrar tradições e redefinir a relação entre o espaço construído e a sua história. Ela nos convida a desacelerar, a apreciar os detalhes e a mergulhar na rica tapeçaria cultural que Xangai tem a oferecer, um gole de chá de cada vez.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen




