A KYA (Know Your Agent), startup fundada por um brasileiro no Vale do Silício, anunciou a captação de US$ 7,3 milhões em uma rodada seed liderada pela Norwest Venture Partners. A empresa busca estabelecer uma infraestrutura global de identidade e prevenção de riscos para a emergente economia agêntica, onde agentes de inteligência artificial (IA) executarão transações em nome de usuários.

A rodada contou com a participação da Restive Ventures e do Oxford Seed Fund. Este aporte segue um investimento anterior de US$ 1,5 milhão em pre-seed, liderado pela Collide Capital e com participação de fundos brasileiros como Latitud e Positive Ventures. A KYA se propõe a solucionar um dos grandes desafios da próxima década: a adaptação dos sistemas de prevenção a fraudes e autenticação, originalmente concebidos para humanos, para lidar com a natureza das transações realizadas por IA.

O desafio da autenticação na economia agêntica

Os sistemas atuais de prevenção a fraudes baseiam-se em análises de comportamento humano, como padrões de cliques, localização e uso de dispositivos. No entanto, agentes de IA operam sob lógicas distintas. Mike Allan, co-fundador da KYA, explica que a solução da startup atua em três camadas. A primeira identifica quem está por trás do agente que realiza a transação, verificando a autenticidade do usuário associado. A segunda camada assegura que o agente possui autorização para a ação. Por fim, a terceira camada garante que a execução da transação esteja alinhada com a intenção original do usuário.

Para a identificação do agente, a KYA emprega métodos que variam de simples, como a verificação de e-mail do usuário cadastrado no serviço, a mais robustos, como solicitação de selfie ou documento para transações de maior valor. A análise do protocolo utilizado pelo agente é crucial para a segunda camada, enquanto a terceira lida com a complexidade de garantir que a execução — como a compra de um seguro ou passagem aérea — corresponda precisamente à solicitação inicial, evitando desvios ou "alucinações" da IA.

A complexidade dos protocolos e a proposta da KYA

A infraestrutura para a economia agêntica está em fase de desenvolvimento, com grandes players como Visa, Mastercard e Google criando protocolos próprios. Essa fragmentação representa um desafio para varejistas e bancos, que precisariam integrar múltiplos sistemas para aceitar pagamentos via agentes de IA. A KYA se posiciona como uma solução multi-protocolo, permitindo que empresas interajam com diferentes sistemas sem a necessidade de desenvolver soluções customizadas.

O produto da KYA encontra-se em fase de testes com clientes selecionados. A empresa reconhece que, embora a IA avance rapidamente, transações totalmente automatizadas por agentes ainda levarão tempo para se tornar a norma. Contudo, a expectativa é que uma parcela significativa de pagamentos, especialmente em processos que envolvem automação e busca por serviços, seja realizada por IA, demandando infraestruturas robustas de segurança.

Implicações para o futuro das transações digitais

A proliferação de agentes de IA em transações financeiras e comerciais levanta questões sobre segurança e responsabilidade. A capacidade de identificar com precisão quem está agindo e se a ação está em conformidade com a intenção do usuário é fundamental para evitar fraudes e garantir a confiança no ecossistema. A KYA busca preencher essa lacuna, oferecendo uma camada de segurança essencial para a expansão da economia agêntica.

A startup, fundada por Mike Allan (brasileiro de Santa Catarina) e Isha Bhatnagar (ex-Coinbase), visa tornar as transações mediadas por IA tão seguras quanto as realizadas por humanos, se não mais. A proposta é que, à medida que mais decisões de alto risco sejam automatizadas, a necessidade de sistemas de verificação confiáveis se torne imperativa.

Perguntas em aberto sobre a adoção e escalabilidade

Resta saber quão rápida será a adoção desses protocolos de IA por parte dos consumidores e empresas. A complexidade técnica e a necessidade de integração com sistemas legados podem representar barreiras iniciais. Além disso, a capacidade da KYA de se adaptar à rápida evolução dos modelos de IA e aos novos vetores de ataque será crucial para sua sustentabilidade a longo prazo.

O futuro das transações digitais aponta para uma maior automação, mas a segurança e a confiança na execução dessas operações por agentes de IA ainda são pontos a serem consolidados. A KYA surge como um player importante nesse cenário, com o desafio de provar a eficácia e a escalabilidade de sua tecnologia.

A empresa busca, com este aporte, acelerar o desenvolvimento e a implementação de sua plataforma, antecipando um futuro onde a distinção entre transações humanas e agênticas exigirá novas camadas de validação e segurança. A jornada para a economia agêntica está apenas começando, e a KYA pretende ser um guardião dessa nova fronteira.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Brasil Journal Tech