A Benchmark, uma das firmas de venture capital mais influentes e tradicionais do Vale do Silício, estaria ajustando sua tese histórica para incluir investimentos em estágios mais avançados (late-stage). A informação, reportada pela The Information, sinaliza uma mudança de postura para uma gestora que, por três décadas, manteve um foco quase exclusivo em rodadas iniciais e na formação de empresas.

Enquanto o mercado de venture capital passou os últimos anos diversificando suas teses — com fundos investindo em ações públicas, criptoativos e até na compra de sistemas hospitalares, como fez a General Catalyst —, a Benchmark permaneceu fiel ao seu modelo original. A firma manteve o hábito de levantar fundos enxutos, geralmente entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões, mesmo quando concorrentes diretos anunciavam veículos multibilionários. O novo relato sugere que essa resistência estrutural pode estar cedendo.

A pressão do late-stage sobre as teses originais

A possível entrada da Benchmark no late-stage reflete uma transformação mais ampla na dinâmica de alocação de capital em tecnologia. Nos últimos anos, gestoras como Andreessen Horowitz, Thrive Capital e Lightspeed Venture Partners redefiniram o conceito de escala no setor, levantando bilhões de dólares para cobrir todo o ciclo de vida das startups, desde a concepção até o pré-IPO. Essa abordagem permitiu que essas firmas defendessem suas posições em empresas de alto crescimento e capturassem valor em rodadas mais maduras, que exigem cheques significativamente maiores.

Até então, a Benchmark operava como o principal contraponto a essa estratégia de acumulação de ativos. A filosofia da firma baseava-se na premissa de que fundos menores forçam uma disciplina de investimento mais rigorosa e alinham melhor os incentivos entre os sócios, que dependem de retornos exponenciais em poucas empresas em vez de taxas de administração sobre grandes volumes de capital. Se a mudança de escopo for confirmada, ela ilustra a dificuldade de manter uma tese puramente early-stage em um ambiente onde as empresas de tecnologia permanecem privadas por mais tempo e exigem capital intensivo em suas fases de expansão.

O movimento sugere que a evolução do mercado de venture capital continua a testar os limites das estratégias mais ortodoxas do Vale do Silício. Resta observar como a gestora equilibrará sua estrutura historicamente enxuta com as demandas de capital mais agressivas que caracterizam as rodadas de late-stage.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · The Information