A renomada colecionadora de arte Beth Rudin DeWoody colocou à venda seu apartamento na Upper East Side de Nova York por US$ 12 milhões. Esta é a segunda vez que a propriedade, localizada na 10 Gracie Square, aparece no mercado desde 2018, tendo sido retirada de circulação em 2020. Com 5.000 pés quadrados (aproximadamente 465 m²), o apartamento no quarto andar oferece vistas deslumbrantes do East River e um espaço generoso. A residência conta com uma galeria de entrada de 32 pés de comprimento, uma ampla sala de estar, sala de jantar formal, terraço, quatro quartos, dois quartos de serviço, lavanderia e uma cozinha com área para refeições, que exibe janelas com vitrais e pisos em espinha.
Um Palácio de Arte e Design
Rudin DeWoody contratou o arquiteto Alan Wanzenberg, conhecido por seu trabalho anterior com I.M. Pei, para reformar o apartamento. O espaço foi meticulosamente decorado com obras de sua coleção pessoal, que ultrapassa 10.000 peças. Entre os destaques estão um gabinete revival gótico do século XIX, uma mesa de centro feita de uma caixa Brillo de Charles Lutz na sala de estar, uma escultura de Tony Matelli com fatias de melão na entrada e uma cúpula geodésica sobre o piano na sala de estar. Cada cômodo é um testemunho de seu gosto eclético, exibindo trabalhos de artistas como Willem de Kooning, Richard Avedon e Cy Twombly.
A Paixão Incessante por Colecionar
A personalidade de DeWoody é marcada por uma energia vibrante e uma paixão avassaladora por adquirir arte. Em uma entrevista à Artnet News em 2020, ela confessou: “É difícil para mim não comprar. Mesmo quando fico sem dinheiro.” Essa intensidade, no entanto, tem sido um impulso significativo para muitos artistas. Rob Wynne, por exemplo, conheceu DeWoody quando se encantou por uma de suas peças; ele declarou ao Wall Street Journal em 2010 que "não há ninguém mais solidário" a ele. DeWoody é uma figura constante na lista dos 200 Maiores Colecionadores da ARTnews, presente em todas as edições desde 2005.
Imóveis e o Ecossistema da Arte
Com residências em Los Angeles, Nova York e West Palm Beach, onde estabeleceu o Bunker, um centro de arte exclusivo, DeWoody demonstra a interconexão entre o mercado imobiliário de luxo e o mundo da arte. A venda deste imóvel, que já foi lar de figuras como Brooke Astor e Gloria Vanderbilt, pode ser interpretada como um reflexo das dinâmicas do mercado de colecionadores influentes, onde a liquidez é essencial para a contínua expansão de coleções. A decisão de vender, mesmo quando se "corre atrás de dinheiro comprando coisas", como ela mesma relatou ao Apollo, evidencia a natureza cíclica e exigente do colecionismo de alto nível.
Perguntas em Aberto
A reentrada do apartamento no mercado levanta questões sobre as motivações atuais de DeWoody. Será uma necessidade de capital para novas aquisições, uma reconfiguração de seu portfólio imobiliário ou uma mudança de prioridades pessoais, como a proximidade com os filhos em Los Angeles, mencionada em 2018? A forma como a propriedade será vendida e o destino das obras de arte que a adornam também são pontos de interesse para observadores do mercado. A fluidez de colecionadores de elite entre imóveis e arte continua a moldar o cenário de ambos os setores.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews





