Após semanas de estagnação, o Bitcoin protagonizou um dos ralis mais fortes dos últimos anos em agosto, saltando de uma faixa entre US$ 62 mil e US$ 66 mil para tocar os US$ 81,5 mil em questão de dias. A valorização, de quase 27%, acendeu o debate sobre a sustentabilidade do movimento.

Enquanto altas tão abruptas costumam levantar suspeitas de euforia especulativa e excesso de alavancagem, uma análise da plataforma DeFiLlama Research, em parceria com a Binance, sugere o contrário. A tese é que o impulso veio de capital novo entrando no mercado à vista, e não de apostas alavancadas em derivativos — uma dinâmica que confere mais solidez à nova faixa de preço.

O peso do mercado à vista

O principal argumento do estudo está na relação entre o volume negociado no mercado à vista (spot) e em contratos perpétuos. Até o dia 18 de agosto, para cada dólar negociado no mercado spot, US$ 6,02 eram movimentados em perpétuos. Durante a semana da alta, essa proporção caiu para US$ 4,97. A queda de 17,4% indica que as compras diretas do ativo aceleraram mais intensamente que as operações em derivativos. Em números absolutos, o volume médio diário no mercado spot saltou 153%, contra 109% nos contratos perpétuos.

Essa narrativa é reforçada pelo fluxo de capital nos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos. Após um período de saídas líquidas, os fundos voltaram a registrar captação às vésperas da disparada de preços e não registraram mais resgates desde então, sinalizando um apetite renovado por parte dos investidores institucionais e de varejo que usam esses veículos para exposição.

O que dizem os derivativos

No mercado de derivativos, a leitura exige mais nuances. Embora o open interest — o valor total de contratos em aberto — tenha crescido em dólares, acompanhando a alta do preço, o indicador medido em bitcoins conta outra história. Antes do rali, havia cerca de 341 mil BTC em posições abertas; no pico da alta, esse número havia recuado para 312 mil BTC, uma queda de 8,5%.

Para os analistas da DeFiLlama, a redução do open interest em BTC sugere que o movimento não foi sustentado por um aumento expressivo de novas posições alavancadas. Pelo contrário, pode indicar o fechamento de posições vendidas (short squeeze) e uma consolidação do mercado, em vez de uma nova bolha especulativa. A concentração do volume spot em poucas exchanges, como Binance e OKX, também sugere uma entrada de capital mais focada.

O sinal a ser monitorado, segundo o estudo, é se a relação entre derivativos e mercado à vista voltará a subir. Se isso ocorrer, indicará que o mercado migrou de um cenário impulsionado por capital novo para um novamente alimentado por alavancagem. Por enquanto, a base parece mais firme.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times