O Bizum, sistema de pagamentos instantâneos criado por um consórcio de bancos espanhóis e análogo local do Pix, tem uma oportunidade de ouro para desafiar o domínio da Apple e do Google em pagamentos móveis. Segundo um estudo da consultoria Simon-Kucher, oito em cada dez usuários de Apple Pay e Google Pay na Espanha estariam dispostos a adotar o Bizum Pay, desde que a plataforma ofereça vantagens claras.
A pesquisa, que ouviu 800 correntistas, revela um campo de batalha conhecido do ecossistema brasileiro: a conveniência já não é um diferencial, mas um pré-requisito. A leitura é que, para competir com as Big Techs, não basta ter uma experiência de usuário fluida. É preciso oferecer algo a mais. A verdadeira disputa, aponta o estudo, está na proposta de valor.
A comoditização da conveniência
Os incentivos financeiros são o principal motor de adoção. Metade dos consumidores afirma que usaria mais o Bizum Pay se houvesse benefícios associados. Os mais valorizados são o cashback (citado por 18%), programas de pontos (16%) e descontos diretos no varejo (15%). Em outras palavras, a guerra não é mais sobre como se paga, mas sobre o que se ganha ao pagar. A velocidade e a integração com o celular, antes trunfos, hoje são o mínimo esperado.
O estudo também mostra que a lealdade bancária ainda importa. Clientes de bancos como BBVA e Santander mostram-se mais abertos à mudança, enquanto os do CaixaBank são mais reticentes. Isso sugere que a distribuição e o marketing por parte dos bancos acionistas serão cruciais para o sucesso da empreitada, transformando cada instituição em um canal — ou uma barreira — para a adoção.
Para o mercado brasileiro, o caso espanhol serve de espelho. O Pix estabeleceu uma infraestrutura de pagamentos robusta e onipresente, mas a competição por serviços de valor agregado — crédito, investimentos, cashback — continua acirrada entre bancos, fintechs e as próprias carteiras digitais das Big Techs. A lição do Bizum é clara: a infraestrutura é apenas o começo. A fidelidade do cliente será conquistada com o bolso.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





