A Blue Origin iniciou a reconstrução da plataforma de lançamento LC-36A, na Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, após a explosão do foguete New Glenn em 28 de maio. O acidente, ocorrido durante um teste de rotina dos motores, destruiu o veículo e comprometeu infraestruturas críticas, como a torre de para-raios e o transportador-eretor, equipamento essencial para mover o foguete das instalações de integração até a base.

Apesar da perda material, a empresa liderada por Dave Limp mantém o objetivo de realizar novos voos do New Glenn, um foguete de 98 metros de altura, ainda este ano. Segundo comunicado oficial da companhia, a fase de remoção de destroços foi concluída, permitindo que a reconstrução da base, considerada o único ponto de lançamento atual para o veículo, avançasse para a etapa de obras estruturais.

Mudança no conceito de operações

A reconstrução não será uma réplica exata do que existia anteriormente. A Blue Origin está aproveitando o incidente para implementar um novo conceito de operações, descrito pelo CEO Dave Limp como uma configuração "híbrida horizontal/vertical". O plano envolve a integração dos estágios do foguete na instalação horizontal, seguido pelo transporte até a base, onde um guindaste realizará a verticalização e o acoplamento da carga útil.

Essa mudança estratégica, que substitui o antigo transportador-eretor por um guindaste dedicado, visa otimizar o fluxo de trabalho e aumentar a cadência de lançamentos. A decisão reflete uma adaptação necessária para lidar com as exigências de um mercado espacial que demanda agilidade e eficiência operacional, movendo a montagem final da carga útil para a própria plataforma de lançamento.

Preparação para o modelo 9X4

A transição para o novo modelo operacional não é um movimento isolado, mas parte do planejamento para a futura variante do New Glenn, denominada 9X4. Este modelo, projetado para ser significativamente mais potente, contará com nove motores BE-4 no primeiro estágio e quatro motores BE-3U no estágio superior, aumentando a capacidade de carga para órbita terrestre baixa de 50 para 77 toneladas.

Além da nova configuração de motores, o 9X4 terá uma coifa de carga útil maior, com 8,7 metros de largura. A Blue Origin já estava adaptando uma segunda plataforma, a LC-36B, para acomodar essas especificações. A padronização do sistema híbrido em ambas as bases sugere uma busca por escalabilidade, permitindo que a infraestrutura terrestre suporte diferentes variantes do veículo com maior flexibilidade.

Investigação e lições aprendidas

O processo de investigação sobre as causas da explosão de maio permanece em curso, embora a empresa tenha indicado avanços significativos. A vasta instrumentação do foguete, que forneceu dados detalhados a partir de múltiplos sensores e ângulos de câmera, permitiu identificar que a anomalia teve origem na seção traseira do primeiro estágio.

A confiança da liderança em identificar a causa raiz sugere que os protocolos de segurança e telemetria da Blue Origin estão funcionando conforme o esperado em cenários de falha. O desafio agora é equilibrar a celeridade da reconstrução com a necessidade de garantir que o erro não se repita em voos futuros, especialmente em uma fase crítica de entrada no mercado de lançamentos de carga pesada.

Perspectivas de curto prazo

O mercado de lançamentos espaciais observa com atenção se a mudança para o novo conceito operacional será suficiente para cumprir o cronograma ambicioso de voos para o final de 2026. A capacidade da Blue Origin de transformar um revés técnico em uma oportunidade de modernização infraestrutural será testada à medida que as obras avançarem.

A incerteza sobre a data exata do retorno ao voo e a complexidade da nova configuração de guindastes permanecem como pontos de atenção. O sucesso da transição para o modelo híbrido pode ditar o ritmo da empresa frente à concorrência global, que também busca reduzir o tempo de permanência dos foguetes nas plataformas de lançamento.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Space.com