A Boston Dynamics, empresa conhecida por seus robôs humanoides ágeis e acrobáticos, está mudando o foco de demonstrações tecnológicas para aplicações industriais práticas. Sob a nova propriedade da Hyundai Motor Group, a empresa inaugurou o Centro de Aplicações Robóticas (RMAC) em Savannah, Geórgia, EUA. Este centro servirá como um campo de treinamento avançado onde os robôs Atlas serão preparados para operar em ambientes de fabricação, especificamente nas linhas de montagem da Hyundai.

Do Laboratório para a Fábrica

Por anos, o robô Atlas foi sinônimo de robótica humanoide de ponta, realizando feitos impressionantes em laboratórios controlados. No entanto, a aquisição pela Hyundai sinalizou uma mudança estratégica. O RMAC representa um passo crucial nessa transição, simulando um ambiente de fábrica real onde os robôs aprenderão a gerenciar a logística e a organização de peças automotivas. A meta é que, até 2030, o Atlas não apenas monte componentes, mas também assuma tarefas que exigem força e movimentos repetitivos, liberando trabalhadores humanos para funções mais complexas.

Treinamento e Viabilidade Comercial

O treinamento no RMAC combina aprendizado por reforço com operação remota humana, permitindo que os robôs aprendam a interagir em ambientes compartilhados e a manipular peças de diferentes complexidades e fragilidades. Zack Jackowski, diretor de produto e tecnologia da Boston Dynamics, destacou que o RMAC difere de testes anteriores por focar no aprendizado contínuo, preparando os robôs para coexistir e trabalhar ao lado de humanos e outras máquinas no mundo real. Essa abordagem visa não apenas aprimorar a tecnologia, mas também demonstrar a viabilidade comercial dos robôs humanoides, um objetivo chave para a Hyundai.

Expansão Global e Novos Setores

A Hyundai planeja implantar até 25.000 unidades do Atlas em suas plantas globais, incluindo a Kia, e já planeja uma nova fábrica nos EUA com capacidade de produção anual de 30.000 robôs. Além disso, a expansão do RMAC está prevista para o próximo ano. A montadora também busca adaptar o Atlas para outros setores, como o aeroespacial, de semicondutores e logística, ampliando seu leque de aplicações. A empresa também considera a Europa, com planos de levar o Atlas para a fábrica na República Tcheca, visando suprir a demanda em um mercado com força de trabalho em declínio devido ao envelhecimento populacional, um cenário semelhante ao observado na China e no Japão.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka