O Bradesco BBI atualizou suas estimativas para os grandes bancos brasileiros após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026, consolidando uma preferência clara pelo Itaú Unibanco (ITUB4). Em relatório assinado por Marcelo Mizrahi e sua equipe, o banco de investimento manteve a recomendação de compra para o Itaú, enquanto adotou uma postura mais cautelosa em relação ao Banco do Brasil (BBAS3) e ao Santander Brasil (SANB11), ajustando para baixo os preços-alvo de ambos.

A tese central do BBI para o setor financeiro reflete um ambiente de taxas de juros elevadas por um período mais prolongado, o que impõe desafios estruturais à qualidade dos ativos e à dinâmica de crédito. Segundo a análise, enquanto o Itaú demonstra capacidade de absorver pressões com um balanço patrimonial defensivo, seus pares enfrentam incertezas operacionais que pressionam as margens e exigem revisões nas projeções de lucro para os próximos dois anos.

A resiliência do Itaú como porto seguro

O Itaú Unibanco permanece como a escolha preferencial do BBI, sustentada por um histórico sólido de execução operacional. A instituição financeira é vista como a mais preparada para navegar em um cenário de juros altos, mesmo diante da necessidade de elevar as provisões para devedores duvidosos. A avaliação de 8,8 vezes o múltiplo de preço sobre lucro (P/L) esperado para 2026, aliada a um rendimento de dividendos de 8,2%, reforça a recomendação de desempenho acima da média.

A leitura aqui é que o Itaú conseguiu equilibrar a expansão da receita com um controle rigoroso de riscos, algo que se torna um diferencial competitivo crítico. Embora o banco enfrente o mesmo cenário macroeconômico adverso dos demais, a gestão de ativos e passivos parece oferecer uma camada de proteção que justifica a confiança dos analistas no papel.

Pressões sobre o Banco do Brasil

No caso do Banco do Brasil, o BBI optou por manter a recomendação neutra, mas reduziu o preço-alvo para R$ 20. O ajuste é reflexo direto de uma elevação nas despesas de provisão, que agora se situam na extremidade superior das projeções internas do banco, representando um aumento de 21% em relação às estimativas anteriores. Embora o crescimento da Receita Líquida de Juros (NII) tenha apresentado desempenho positivo, ele não foi suficiente para compensar o custo do risco.

Para 2026, a estimativa de lucro líquido do BB foi fixada em R$ 17,6 bilhões, um valor que se posiciona 12% abaixo do consenso de mercado da Bloomberg. A baixa visibilidade sobre a qualidade futura da carteira de crédito é o fator determinante para a cautela dos analistas, que preferem aguardar sinais mais claros de estabilização antes de revisar o otimismo sobre o ativo.

Desafios operacionais no Santander Brasil

O Santander Brasil também foi alvo de revisões negativas, com o BBI cortando as estimativas de lucro para 2026 e 2027 em 6,8% e 13,1%, respectivamente. O cenário para o banco é impactado por um crescimento mais lento na concessão de crédito e por um desempenho abaixo do esperado na tesouraria. A projeção de lucro para 2026 caiu para R$ 15,6 bilhões, ficando 6,1% abaixo das estimativas de consenso.

Com o preço-alvo ajustado de R$ 33 para R$ 29, o Santander passa a oferecer um potencial de valorização de apenas 7%, o que mantém a recomendação neutra. O movimento sugere que o banco ainda busca encontrar um ritmo de expansão que não comprometa a rentabilidade, em um momento onde a concorrência por clientes de alta renda e a gestão do risco de inadimplência exigem uma alocação de capital cada vez mais precisa.

Perspectivas e incertezas no setor

O que permanece incerto para o setor bancário é a duração exata do ciclo de juros restritivos e seu impacto cumulativo na capacidade de pagamento das famílias e empresas. O mercado monitora de perto se a elevação das provisões nos grandes bancos é um movimento preventivo ou um sinal de deterioração estrutural mais profunda que pode afetar os resultados até 2027.

O investidor deve observar nos próximos trimestres a evolução das margens financeiras e a eficácia das estratégias de recuperação de crédito. A divergência nas recomendações do BBI destaca que, em momentos de incerteza, a execução operacional e a solidez do balanço se tornam os principais ativos de valorização na bolsa brasileira.

O setor bancário brasileiro continua sendo o principal termômetro da economia nacional, refletindo tanto a resiliência das instituições tradicionais quanto a complexidade do ambiente de crédito vigente. Com as projeções ajustadas, a atenção do mercado se volta agora para a capacidade de cada banco em entregar os resultados esperados sem comprometer a saúde financeira de longo prazo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney