O cenário de juros em queda tem aberto janelas de oportunidade no mercado de fundos imobiliários (FIIs) de tijolo, que investem diretamente em imóveis físicos. Segundo análise do BTG Pactual, esses fundos ainda negociam com descontos relevantes em relação ao seu valor patrimonial e podem se beneficiar significativamente de uma eventual retração nas taxas de juros de longo prazo. Os analistas Matheus Oliveira e Caio Araujo, do BTG, apontam que, enquanto outros segmentos do mercado financeiro já precificaram parte da melhora nas perspectivas para os juros, os FIIs de tijolo apresentaram uma reação mais contida. Essa diferença abre espaço para fundos que reúnem potencial de geração de renda e valorização das cotas.

Oportunidades em FIIs com Desconto

De acordo com o BTG Pactual, o índice IFIX Tijolo opera atualmente com um múltiplo Preço/Valor Patrimonial (P/VP) de aproximadamente 0,85, o que representa um desconto de cerca de 15% sobre o valor líquido dos portfólios. Este patamar está abaixo da média histórica do índice, que gira em torno de 0,94. A expectativa é que essa diferença possa impulsionar a recuperação dos preços das cotas, caso a queda do custo de capital se consolide e os fundamentos operacionais dos imóveis se mantenham sólidos. Fundos com imóveis de qualidade, ocupação saudável e receitas consistentes podem ver seus preços se ajustarem positivamente à medida que o custo de capital diminui.

Outro indicador de atratividade destacado pelos analistas é o spread entre o dividend yield do IFIX Tijolo e a taxa real da NTN-B de médio prazo (vencimento em 2035). Atualmente, o dividend yield do IFIX Tijolo se aproxima de 11,6% ao ano, enquanto a taxa real da NTN-B está em torno de 7%. Essa diferença de aproximadamente 470 pontos-base é superior à média histórica de 360 pontos-base, reforçando a atratividade relativa dos FIIs de tijolo. Embora parte dos rendimentos distribuídos possa ser não recorrente, o indicador sugere uma margem razoável de atratividade, especialmente quando se considera a capacidade de reajuste dos aluguéis e a recorrência dos dividendos.

Mecanismos de Valorização e Cenário Macroeconômico

A consolidação da queda dos juros pode permitir que os fundos de tijolo combinem o recebimento de dividendos com uma reprecificação das cotas. A estratégia sugerida pelo BTG é a de construir posições enquanto os descontos ainda são significativos, focando em portfólios capazes de sustentar seus resultados durante essa transição. Os preços atuais já teriam incorporado uma parcela relevante dos riscos macroeconômicos, criando uma assimetria mais favorável para investidores. Contudo, o mercado pode permanecer volátil devido a incertezas fiscais, o andamento das eleições e a sensibilidade dos fundos à curva de juros. Ainda assim, a combinação de desconto patrimonial e spread acima da média aponta para uma relação preço-renda interessante.

A seleção de fundos continua sendo fundamental, com preferência por gestores experientes, portfólios de qualidade, estruturas de capital equilibradas e rendimentos sustentados por resultados recorrentes. A análise do BTG Pactual indica que a diversificação setorial é uma estratégia prudente, com oportunidades identificadas em diferentes nichos do mercado imobiliário.

Implicações para Setores Específicos e Stakeholders

O BTG Pactual selecionou oito fundos imobiliários de tijolo em diferentes setores, que combinam deságios relevantes com fundamentos operacionais positivos. Em lajes corporativas, o banco destaca o VBI Prime Properties (PVBI11) e o JS Real Estate (JSRE11), ambos com portfólios de salas comerciais premium em São Paulo e inquilinos diversificados. Para PVBI11, a normalização da vacância e a convergência do preço de mercado ao valor dos ativos são pontos fortes. Para JSRE11, a tese combina qualidade imobiliária com P/VP de 0,66 e projeção de crescimento de dividendos.

Nos galpões logísticos, o Bresco Logística (BRCO11) é apontado como um fundo de alta qualidade, com portfólio premium e inquilinos de crédito elevado, que tem conseguido reduzir a vacância. O Vinci Logística (VILG11) também é citado, com portfólio diversificado e foco em ativos de alto padrão, combinando qualidade operacional e desconto patrimonial. No segmento de shoppings, BTG Pactual Shopping Centers (BPML11), HSI Malls (HSML11) e Vinci Shopping Centers (VISC11) são recomendados, com potencial de reprecificação setorial.

Perguntas em Aberto e Perspectivas Futuras

No segmento hoteleiro, o fundo Hotel Maxinvest (HTMX11) é a alternativa de destaque, com exposição concentrada em regiões de São Paulo e receita combinada de diárias e ganhos de capital. A análise do BTG sugere que a queda dos juros longos pode impulsionar a atratividade desses fundos, mas a volatilidade do mercado e as incertezas fiscais demandam cautela na seleção. A relação entre preço, desconto patrimonial e dividend yield continua sendo o principal motor de atratividade.

O mercado de FIIs de tijolo apresenta um cenário promissor para investidores que buscam renda e potencial de valorização, especialmente em um ambiente de juros em queda. A capacidade dos fundos de manterem seus fundamentos operacionais e a qualidade de seus portfólios serão cruciais para a sustentação dos resultados e a atratividade contínua.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times