A BYD registrou em agosto o quarto mês consecutivo de aumento em suas vendas globais, mas o número principal não está no total de 440 mil veículos. Está na linha de exportações: um salto de 134,5% para quase 190 mil unidades, que continua a blindar a companhia da demanda doméstica mais fraca na China.

A leitura é que a expansão internacional deixou de ser um plano secundário para se tornar o principal motor de crescimento e lucratividade da gigante chinesa. Com o mercado local saturado por uma intensa guerra de preços, a BYD usa o mundo — e o Brasil em particular — como seu principal campo de batalha.

O Brasil como pilar

O mercado brasileiro tornou-se a peça central dessa estratégia. Segundo dados da Fenabrave compilados pela Reuters, a BYD já é a quarta maior marca do país em vendas no acumulado de janeiro a julho, com uma fatia de 7,54% do mercado. A montadora já vende mais que nomes estabelecidos como Toyota, Renault e Honda.

O movimento vai além da simples importação. Com o recente lançamento de seu primeiro veículo híbrido flex produzido localmente, a empresa sinaliza um compromisso de longo prazo com o Brasil, consolidando sua base fabril na maior economia da América Latina.

Refúgio para a rentabilidade

Essa ofensiva global serve como um contrapeso vital para as pressões na China. Pela primeira vez, no primeiro semestre, a receita da BYD vinda do exterior superou a doméstica. Embora a empresa tenha registrado seu primeiro aumento de lucro trimestral em mais de um ano, o resultado ficou aquém das expectativas, um reflexo direto da concorrência brutal em casa.

Em outras palavras, as exportações não são apenas sobre volume, mas sobre margens. Vender carros em mercados como o Brasil e a Europa ajuda a amortecer a queda na lucratividade que a empresa enfrenta em sua terra natal. A estratégia está claramente funcionando, mas abre uma nova frente de disputa. A ascensão meteórica da BYD no Brasil, ao lado de outras chinesas como a GWM, redesenha o mapa da indústria automotiva local. A questão para as montadoras tradicionais não é mais se a concorrência chinesa chegará, mas como responder a uma ofensiva que se mostra tão rápida quanto bem capitalizada.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney