O C6 Bank, um dos principais bancos digitais do país, anunciou uma redução média de 88% no tempo de entrega de seus projetos de tecnologia. O salto de produtividade foi alcançado com a implementação do Kiro, um assistente de desenvolvimento baseado em inteligência artificial agêntica, construído sobre a infraestrutura da Amazon Web Services (AWS).

O anúncio, feito durante o AWS Summit em São Paulo, revela um caso de uso que vai além da simples geração de código. A estratégia do C6 se diferencia por tratar a IA não como uma fábrica de software, mas como um parceiro intelectual para todo o ciclo de desenvolvimento — do planejamento estratégico à revisão de compliance, uma abordagem crucial para o setor financeiro.

Além do código

Os resultados apresentados pelo banco ilustram o impacto da ferramenta em tarefas complexas. A concepção e aprovação regulatória de um novo produto financeiro, processo que levaria até dez sprints (ciclos de desenvolvimento), foi concluída em apenas um. A criação de uma nova plataforma de dados, estimada em três meses para uma equipe completa, foi entregue em oito dias por apenas dois arquitetos.

Segundo o C6 Bank, o Kiro atua como um “assistente intelectual altamente qualificado”, capaz de apoiar na criação de cenários, validação de ideias e automação de processos. Construído sobre o Amazon Bedrock, o sistema opera dentro do ambiente de nuvem isolado do banco, garantindo que dados sensíveis não sejam expostos, um ponto não negociável para qualquer instituição financeira, como destacou José Luiz Santana, CISO do C6 Bank.

Pessoas primeiro, depois a ferramenta

A chave para a implementação, no entanto, parece ter sido o foco em governança. Antes de liberar o acesso ao Kiro, o C6 Bank treinou 722 colaboradores em um programa obrigatório sobre o funcionamento de LLMs, uso responsável de IA e compliance regulatório. Apenas após a capacitação o acesso foi concedido.

Essa abordagem de “pessoas primeiro” enquadra a tecnologia como uma ferramenta de amplificação, não de substituição. Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil, ressaltou que o desenvolvedor humano permanece como “parceiro crucial para especificar, pensar e validar o trabalho da ferramenta”. O C6 Bank optou por um modelo de parceria homem-máquina, em que a governança e o treinamento precedem a busca por eficiência.

Para um setor altamente regulado como o financeiro, a experiência do C6 oferece um roteiro. O caso sugere que os maiores ganhos com IA generativa podem não vir da velocidade de codificação, mas da integração estruturada da tecnologia em processos de negócio complexos, com uma base sólida de capacitação humana e controles de segurança. A inovação, aqui, parece ser tanto de processo quanto de tecnologia.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside