O presidente do BBVA, Carlos Torres, defendeu nesta semana, durante seminário da Associação de Jornalistas de Informação Econômica (APIE) na Espanha, que a inteligência artificial é a chave para destravar o potencial de produtividade da Europa. Segundo o executivo, a tecnologia representa uma ferramenta de transformação profunda, capaz de automatizar processos e otimizar a tomada de decisões em todo o tecido empresarial do continente.
Torres argumentou que o diferencial competitivo não residirá apenas em quem desenvolve a tecnologia, mas em quem consegue integrá-la com maior agilidade e escala. Para o líder do banco, a adoção sistêmica da IA é o que permitirá à Europa fechar a lacuna de eficiência acumulada em relação a outras potências globais, onde o investimento e a implementação têm ocorrido de forma mais célere.
O imperativo da adoção tecnológica
O diagnóstico de Torres é de que a Europa sofre não apenas com a falta de investimento, mas com uma lentidão estrutural na adoção de novas soluções. Ele enfatizou que a IA não deve ser vista como um fenômeno isolado de um setor específico, mas como uma tecnologia transversal que impacta desde o mercado energético até a construção civil. A capacidade de aprender e inovar, potencializada por algoritmos, cria um efeito multiplicador que tende a ampliar a vantagem competitiva das empresas ao longo do tempo.
Para o executivo, o desafio europeu é de ambição. Ele ressaltou que, embora o continente possua talento e recursos, a fragmentação regulatória atua como um freio significativo. A disparidade de normas entre Estados-membros, como as observadas na operação do BBVA entre Itália e Alemanha, impede que processos digitais sejam escalados com a rapidez que o mercado demanda atualmente.
Mecanismos de transformação bancária
Dentro do setor financeiro, a visão de Torres é de que a IA causará um impacto superior ao da digitalização convencional, por sua natureza transversal. Ele descreveu a adoção dessa tecnologia no banco não como um projeto isolado, mas como uma revolução integral que deve permear todos os processos da organização. A meta é utilizar a IA para personalizar serviços, reduzir custos operacionais e acelerar a chegada de novas soluções ao mercado.
O executivo reconheceu os riscos inerentes, como questões de privacidade e viés algorítmico, mas ponderou que o foco excessivo nos perigos pode obscurecer as oportunidades. Para ele, a gestão da mudança é o ponto central. Ele mantém um tom otimista em relação ao emprego, argumentando que, historicamente, o aumento da produtividade e a automação, como visto na mecanização agrícola, não resultaram em desemprego estrutural, mas em novas ocupações.
Tensões regulatórias e o futuro europeu
A crítica de Torres sobre a governança da União Europeia toca em um ponto sensível: o conflito entre a integração europeia e os interesses nacionais. Ele citou exemplos práticos de burocracia, como diferentes sistemas de validação de clientes e normas de prevenção à lavagem de dinheiro, que impedem a criação de um mercado único digital eficiente. Essas barreiras, segundo o executivo, são obstáculos diretos para a competitividade das empresas que tentam operar em escala pan-europeia.
O cenário futuro, portanto, depende da capacidade da Europa em harmonizar suas políticas. A questão que permanece em aberto é se o bloco conseguirá superar seus mecanismos de governança interna para permitir que a inovação flua livremente. O sucesso das empresas europeias, segundo o presidente do BBVA, dependerá de sua habilidade em integrar agentes de IA em todos os níveis de suas operações, transformando a teoria em valor econômico tangível.
Perspectivas para a economia digital
O que se observa é um movimento de pressão por parte do setor privado para que a regulação acompanhe a velocidade da inovação. O embate entre a cautela regulatória europeia e a necessidade de escala global continuará a definir a pauta de investimentos. A observação dos próximos desdobramentos nas normas de perfilamento e validação de clientes será crucial para medir a real capacidade de adaptação da economia europeia.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





