Na cobiçada Upper East Side de Manhattan, uma joia arquitetônica e artística foi colocada à venda por US$ 9 milhões. A townhouse de Barbara Jakobson, uma figura monumental no mundo da arte por mais de 60 anos, não era apenas um lar, mas uma galeria em constante transformação, um reflexo vivo de sua curadoria pessoal e de sua paixão pela arte. Jakobson, que nos deixou em 2025, via a casa como um “vessel para um exercício autobiográfico contínuo”, uma prova de sua vitalidade e de sua relação intrínseca com as obras que colecionava e as pessoas que as criavam.
Um Legado em Tijolo e Tela
A residência, construída em 1910 e expandida em 1956 pelo arquiteto John Kingsland, possui uma história rica que antecede a chegada de Jakobson. Antes dela, o cineasta Elia Kazan habitou o imóvel de 20 pés de largura, à época em que dirigia clássicos como “Vidas Amargas” e “Clamor do Destino”. Estrelas de Hollywood como James Dean e Marlon Brando eram visitantes frequentes, conferindo ao local um ar de glamour cinematográfico. Contudo, foi Barbara Jakobson, uma nova-iorquina de nascimento, quem a transformou em um santuário de arte ao adquiri-la em 1965. Por quase seis décadas, ela a moldou, recebendo em seus salões artistas como Jasper Johns, Andy Warhol e Robert Rauschenberg, cimentando seu status como um epicentro da vanguarda artística.
A Casa como Obra de Arte
Apelidada de “Casa do Esquilo” devido às esculturas de bronze na entrada, a propriedade de cinco andares e 6.000 pés quadrados exala um charme peculiar, combinando o lúdico com o refinado. As portas vermelhas laqueadas dão acesso a interiores elegantes, com oito quartos e seis banheiros completos. O hall de entrada, com seus arcos triplos e papel de parede personalizado de Peter Halley, conduz a um salão de baile com uma sala de estar formal, uma galeria e um salão com lareira a lenha. A escadaria em espiral, que já serviu de cenário para uma sessão de fotos da Vogue com Jakobson, desce até uma impressionante sala de estar de pé-direito duplo, onde outrora esteve a obra “Felsztyn III” de Frank Stella, vendida em 2005. A conexão com o exterior se faz por portas de vidro que levam a um jardim privativo de 350 pés quadrados, um refúgio verde em meio à metrópole.
O Mercado de Arte e Imóveis de Luxo
A venda da townhouse de Barbara Jakobson é mais do que uma transação imobiliária; é um vislumbre da intrincada relação entre o mercado de arte e o de luxo. O valor de US$ 9 milhões, após um corte de preço de mais de US$ 800.000 desde sua entrada no mercado em abril de 2026, reflete não apenas a localização privilegiada e as dimensões da propriedade, mas também seu pedigree cultural. A presença de obras de arte icônicas, mesmo que já vendidas, e a história de Jakobson como uma colecionadora de renome e ex-conselheira (trustee) do MoMA agregam um valor intangível, transformando a casa em um ativo cultural tanto quanto financeiro. A Christie's International Real Estate New York, com Leslie Hirsch, Edward Joseph, Howard Morrel e Benjamin Anderson na liderança da listagem, está encarregada de encontrar o próximo guardião deste legado.
Um Convite à Continuidade
Os andares superiores abrigam os quartos de hóspedes, incluindo duas suítes júnior com closet e banheiro privativo. A suíte principal, que ocupa todo o último andar, oferece um lounge privativo, um espaço sereno para leitura e contemplação. A pergunta que paira no ar é: quem herdará este espaço, que foi palco de tantas histórias, de tantas obras de arte, de tantas vidas? A townhouse de Barbara Jakobson permanece como um convite, um testemunho da fusão entre a vida, a arte e a arquitetura, esperando que seu próximo capítulo seja tão vibrante quanto o anterior.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews





