O Maestro Ilaiyaraaja Centre for Music Learning and Research, localizado no campus da IIT Madras em Chennai, Índia, emerge como um marco arquitetônico que redefine o uso do bambu na construção. Projetado pelo estúdio indiano Ekarth Studio, o centro é composto por uma série de pavilhões esculturais que utilizam o bambu como principal material estrutural, desafiando a visão tradicional que muitas vezes o considera um material secundário ou de baixo custo.
Bambu: Do "madeira do pobre" ao material de vanguarda
A concepção do centro musical foi guiada pela priorização de materiais sustentáveis e pela minimização do uso de concreto. O bambu, uma gramínea de crescimento rápido, abundante e de baixo custo globalmente, foi escolhido por sua adequação intrínseca à arquitetura. "A visão pedia um edifício institucional contemporâneo construído predominantemente com materiais naturais, com o bambu formando o sistema estrutural primário", explicou o Ekarth Studio à Dezeen. Essa abordagem não apenas reflete os valores do centro em inovação e responsabilidade ambiental, mas também serve como um laboratório vivo para pesquisa de materiais e pensamento interdisciplinar.
Arquitetura escultural e inspirada na natureza
Os pavilhões do centro apresentam abóbadas de bambu dramaticamente moldadas, inspiradas no "Bel Patra", uma folha de três lóbulos da árvore bael, sagrada no hinduísmo e associada ao som e ao movimento. Essa inspiração resultou em uma série de coberturas sinuosas que criam espaços tanto abertos quanto protegidos. O coração do complexo é um auditório para 80 assentos, com arcos de nove metros de altura e um vão livre de 15 metros, totalmente livre de colunas. Complementam o espaço duas salas de aula para 20 pessoas, uma sala para 50 pessoas, um estúdio de gravação musical, escritórios e instalações sanitárias. Acabamentos à base de cal, superfícies de terra e telhas de fibra natural harmonizam com a estrutura exposta de bambu.
Inovação e sustentabilidade em 11 meses
O Ekarth Studio trabalhou com artesãos locais, combinando técnicas tradicionais de divisão, dobra e junção de bambu com engenharia estrutural para atender aos requisitos de um edifício institucional de longo alcance. O projeto, que levou apenas 11 meses para ser concluído, demonstra que o bambu é capaz de entregar força estrutural, geometria complexa e grandes vãos, expressando uma estética arquitetônica contemporânea em escala institucional. "Por décadas, o bambu foi percebido como a 'madeira do pobre'", observou o estúdio. "Ao demonstrar que o bambu pode entregar força estrutural, geometria complexa, grandes vãos e expressão arquitetônica contemporânea em escala institucional, esperamos que o centro sirva como um exemplo vivo para a comunidade de arquitetura e incentive uma adoção mais ampla do bambu como um material de construção sério."
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen





