Patrick Pouyanné, CEO da TotalEnergies, lançou um alerta sombrio sobre a possibilidade real de escassez de diesel nos próximos meses. Falando na Rio Oil & Gas, Pouyanné destacou que a confluência de crises geopolíticas e decisões estratégicas de países exportadores criaram um cenário de oferta restrita que pode se agravar com a chegada do inverno.

O executivo apontou dois focos principais de tensão: a instabilidade no Oriente Médio, que afeta o tráfego de petróleo e derivados pelo Estreito de Ormuz, e os ataques contínuos da Ucrânia contra refinarias russas, que levaram a Rússia a suspender suas exportações de diesel. Segundo Pouyanné, a combinação desses fatores tirou do mercado o equivalente a mais de 600 mil barris por dia de produtos refinados. Diante desse quadro, o CEO expressou receio de que, sem uma resolução para um dos conflitos, o aumento natural do consumo de combustíveis durante o inverno possa desencadear uma "questão real de risco de suprimento".

O cerco à oferta de diesel

A situação é agravada pela decisão da China de suspender suas exportações de gasolina e diesel, um movimento que, somado aos conflitos, contribui para a escassez global. Pouyanné ressaltou que os estoques de combustíveis em todo o mundo estão "muito baixos" e já estão sendo consumidos em ritmo acelerado. Ele relembrou que, no início da crise no Oriente Médio, refinarias asiáticas que dependiam do petróleo do Estreito de Ormuz foram forçadas a reduzir a produção, levando diversos países da região a enfrentar racionamento de combustíveis. Agora, o risco se estende para além da Ásia, impactando mercados globais.

Diversificação e a aposta brasileira

Diante desse cenário de incerteza, Pouyanné destacou a importância da diversificação geográfica da TotalEnergies, mencionando especificamente a produção no Brasil como um pilar crucial para o abastecimento de suas refinarias na Europa. O Brasil tem se mostrado um contribuinte significativo para a geração de caixa do grupo francês. Em um movimento que sinaliza a confiança na estratégia brasileira, a TotalEnergies decidiu aumentar sua participação na Casa dos Ventos, empresa líder em geração eólica e solar no país. A companhia elevou sua participação de 34% para 49%, expandindo seu investimento para além do setor de óleo e gás.

O Brasil como pivô estratégico

Desde sua associação com a Casa dos Ventos em 2022, quando a empresa possuía apenas 1,6 gigawatts (GW) de capacidade instalada, a companhia de Mario Araripe acelerou sua expansão, projetando encerrar o ano com 7,5 GW. Essa trajetória a consolida como líder no setor de energias renováveis no Brasil. A Casa dos Ventos já fechou contratos para fornecer 1 GW de energia para data centers, um segmento em franca expansão impulsionado pela onda da Inteligência Artificial (IA). A TotalEnergies busca capitalizar sobre essa tendência, alavancando seus investimentos em eletricidade.

Olhando para o futuro energético

Para Pouyanné, o Brasil representa a "transição perfeita" da estratégia da TotalEnergies, integrando petróleo, gás e eletricidade renovável. Ele observou que os acionistas da empresa, que antes demonstravam dúvidas, agora reconhecem a solidez da estratégia, impulsionada pela crescente demanda por eletricidade. A capacidade do país em suprir a demanda energética, tanto de combustíveis fósseis quanto de fontes renováveis, o posiciona como um ator fundamental na reconfiguração do mercado global de energia, especialmente em um contexto de crescente instabilidade geopolítica e a urgência da transição energética.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Brasil Journal Tech