Antonio Garamendi, presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE), enfatizou a importância crucial da colaboração público-privada como motor para o desenvolvimento econômico na Ibero-América. Em um evento que antecedeu o XVI Encontro Empresarial Ibero-Americano, Garamendi declarou que a competitividade, a integração econômica, a inovação e a transição energética na região dependem intrinsecamente dessa parceria. Ele destacou que a partilha de um idioma, cultura e história comuns representa um "ativo principal", posicionando a Espanha como o segundo maior investidor na Ibero-América, atrás apenas dos Estados Unidos.

O Papel Essencial da Parceria Público-Privada

A secretária de Estado de Comércio, Amparo López Senovilla, endossou a visão de Garamendi, sublinhando que a colaboração entre os setores público e privado é fundamental para alinhar prioridades e mobilizar recursos. "O setor público cria as condições habilitantes e o setor privado transforma as oportunidades em projetos", afirmou Senovilla, ressaltando que a reindustrialização e a redução de dependências estratégicas são objetivos centrais no cenário global atual, especialmente com o avanço da inteligência artificial (IA).

Desafios e Oportunidades na Nova Economia

Senovilla argumentou que nenhum país pode, isoladamente, atender às demandas de financiamento, talento, tecnologia e escala exigidas pelo novo ciclo econômico. Uma cooperação mais estreita entre países, empresas, instituições financeiras e organismos multilaterais é vista como essencial para compartilhar capacidades, diversificar riscos e acelerar projetos. A América Latina, com seus recursos naturais, matérias-primas e potencial em bioeconomia e hidrogênio renovável, apresenta oportunidades significativas para empresas espanholas, embora os fluxos de investimento agora ocorram em ambas as direções.

Fortalecendo a Voz Ibero-Americana

O ministro dos Assuntos Exteriores, José Manuel Albares, elogiou o Encontro Empresarial Ibero-Americano por sua capacidade de construir uma "voz ibero-americana própria e genuína" em um momento de profunda transformação geopolítica e econômica. Ele observou que cerca de 30% do investimento espanhol no exterior está concentrado na Ibero-América, enquanto o investimento latino-americano na Espanha atingiu máximos históricos, totalizando 60 bilhões de euros. O desafio para o encontro e a subsequente Cúpula Ibero-Americana é "transformar produtividade em inovação" para beneficiar os mais de 600 milhões de cidadãos da região.

Revertendo a "Maldição dos Recursos"

O secretário-geral da SEGIB, Andrés Allamand, destacou a transformação da "maldição dos recursos naturais em uma bênção", com o petróleo, terras raras e lítio posicionando a América Latina como um futuro eixo industrial e energético. Para superar o extrativismo, a região precisa de indústrias, que por sua vez necessitam de energia. Nesse contexto, o impacto da IA, a abundância de recursos naturais e a energia elétrica barata criam um novo cenário, impulsionando o foco em alianças público-privadas. Allamand também celebrou que a IA esteja contribuindo para impulsionar a produtividade na América Latina após um longo período de estagnação.

Esses encontros reafirmam a crença de que a colaboração estratégica entre o setor público e o privado é o caminho mais promissor para enfrentar os desafios complexos e capitalizar as oportunidades emergentes na Ibero-América, promovendo um desenvolvimento sustentável e inclusivo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España