A Cerradinho Bioenergia encerrou a safra 2025/2026 com resultados operacionais e financeiros recordes, consolidando uma trajetória de expansão focada na diversificação de portfólio. A companhia reportou lucro líquido de R$ 372,7 milhões, um avanço de 90% frente ao ciclo anterior, enquanto a receita líquida atingiu R$ 4,288 bilhões, segundo dados da empresa.

O desempenho reflete uma mudança estrutural no modelo de negócios, com o etanol de milho e o açúcar ganhando protagonismo na geração de caixa. A estratégia permitiu que a organização não apenas ampliasse margens, mas também fortalecesse seu balanço patrimonial, reduzindo a alavancagem de 2,00 vezes para 1,40 vez a relação dívida líquida sobre Ebitda.

Diversificação como alavanca de valor

A aposta da CerradinhoBio na flexibilidade operacional entre diferentes matérias-primas tem sido o motor central de sua performance. A conclusão da segunda fase da expansão da fábrica de açúcar permitiu direcionar 62% do mix de cana para a produção do adoçante, resultando em um salto de 195% na produção de açúcar VHP, que somou 415 mil toneladas.

Simultaneamente, o etanol de milho reafirmou sua relevância, representando hoje cerca de 80% da produção total do biocombustível da companhia. Com 687 mil metros cúbicos produzidos a partir do cereal, a unidade de negócio demonstra que a integração industrial e a otimização de subprodutos, como DDGs e óleo de milho, são pilares fundamentais para mitigar a volatilidade do setor sucroenergético.

Eficiência operacional e execução

A capacidade de execução de projetos de capital (capex) foi um diferencial na safra 2025/2026. A moagem de cana-de-açúcar atingiu 5,181 milhões de toneladas, um crescimento de 8% em relação ao ciclo anterior, enquanto a moagem de milho avançou 4%, totalizando 1,514 milhão de toneladas. Esse volume, aliado ao controle de custos, impulsionou o Ebitda consolidado para R$ 1,536 bilhão.

O CEO da companhia, Renato Pretti, destacou que os números evidenciam a evolução da qualidade operacional e o fortalecimento da estrutura de capital, mesmo em um ambiente de mercado desafiador para o setor. A gestão eficiente dos ativos permitiu que a empresa mantivesse um ritmo de crescimento consistente sem comprometer a saúde financeira de longo prazo.

Tensões e o futuro da estrutura de capital

O mercado observa de perto a trajetória da CerradinhoBio, especialmente no que tange à sua estrutura de capital. A redução de 30% na alavancagem em relação a março de 2025 coloca a empresa em uma posição privilegiada para novos investimentos ou para a retomada de planos de abertura de capital (IPO), que permanecem em aberto no radar da gestão.

A transição para um modelo mais diversificado também traz desafios, como a dependência da cotação global das commodities e a necessidade de manter a competitividade logística. O setor sucroenergético brasileiro vive um momento de consolidação, e a capacidade da companhia de manter o ritmo de crescimento dependerá da continuidade da eficiência operacional demonstrada neste ciclo.

O horizonte de longo prazo

O que permanece incerto é como a companhia equilibrará a pressão por retornos aos acionistas com a necessidade de investimentos contínuos em tecnologia e expansão de capacidade. A disciplina financeira será testada à medida que a empresa buscar escalar ainda mais sua presença no mercado de etanol de milho e derivados.

O mercado financeiro aguarda sinalizações sobre a estratégia para os próximos ciclos, especialmente sobre como a empresa pretende utilizar sua margem de manobra financeira atual. A consolidação desta safra serve como um indicador de que a tese de diversificação, quando bem executada, pode transformar a rentabilidade de players regionais do agronegócio.

Os resultados da safra 2025/2026 colocam a CerradinhoBio em um patamar de maturidade que exige atenção constante dos investidores, dada a complexidade do cenário macroeconômico atual.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times