A insurtech espanhola Heymondo, especializada em seguros de viagem, integrou sua plataforma de cotações diretamente ao ChatGPT. A iniciativa, reportada pela Forbes España, permite que usuários do assistente de inteligência artificial da OpenAI obtenham preços e informações sobre apólices sem sair da janela de conversação. O movimento é um dos primeiros a transformar o chatbot, majoritariamente usado para pesquisa e planejamento, em um canal de vendas direto para um produto financeiro.
Para a Heymondo, a lógica é simples: estar onde o cliente está. Com viajantes utilizando cada vez mais a IA para definir destinos, voos e roteiros, a inclusão do seguro no mesmo fluxo conversacional é um passo natural. Segundo Cristina Cruz, diretora digital da companhia, o objetivo é acompanhar os usuários na escolha do seguro “que mais se encaixa com o tipo de experiência que querem viver”. A leitura aqui é que a empresa aposta em capturar a intenção no seu ponto máximo, eliminando a fricção de ter que abrir outra aba ou aplicativo para resolver uma etapa crucial do planejamento.
Do planejamento à conversão
A integração da Heymondo representa um teste fundamental para o futuro do comércio conversacional. Até agora, o uso de IA na jornada de compra se concentrava no topo do funil — descoberta e comparação. Ao permitir a cotação, a empresa move a interação para o meio e o fundo do funil, onde a conversão acontece. Isso transforma o ChatGPT de um assistente de pesquisa em um potencial corretor de seguros digital.
O movimento sinaliza uma mudança de paradigma na distribuição de produtos e serviços. Em vez de atrair o cliente para um site ou app proprietário através de marketing de busca ou social, a empresa vai até a plataforma onde a atenção do usuário já está concentrada. Para setores como o de seguros, tradicionalmente dependentes de intermediários e processos de venda complexos, a IA generativa surge como um canal de distribuição de baixo custo e alta conveniência.
O experimento da Heymondo será observado de perto. O sucesso dependerá não apenas da tecnologia, mas da capacidade de construir confiança suficiente para que um usuário feche a contratação de um produto regulado com um chatbot. A questão não é mais se a IA será um canal de vendas, mas a que velocidade e com que profundidade ela irá remodelar as estratégias de aquisição de clientes em múltiplas indústrias.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





