O Chile consolidou sua posição como a economia mais competitiva da América Latina, conforme revelado pelo Ránking Mundial de Competitividad 2026, elaborado pelo International Institute for Management Development (IMD). Com uma pontuação de 63,1, o país chileno ocupa o 43º lugar no cenário global, mantendo-se à frente de todos os seus pares regionais, embora tenha registrado uma leve queda de um degrau em relação ao ano anterior.
A análise do IMD, que avalia 70 economias ao redor do mundo, coloca o Chile em um patamar de estabilidade que destoa do restante da América Latina. Enquanto o Chile sustenta uma pontuação próxima à da Espanha, que ocupa a 39ª posição, nações como Brasil, México e Colômbia enfrentam retrocessos significativos, evidenciando a dificuldade da região em sustentar reformas estruturais de longo prazo.
O abismo da competitividade regional
O relatório aponta que a América Latina, de forma geral, permanece concentrada na metade inferior da classificação mundial. A leitura aqui é que o problema não reside apenas em indicadores macroeconômicos de curto prazo, mas em um conjunto de fatores estruturais que travam o crescimento sustentável. Entre os entraves citados estão a baixa produtividade, a deficiência em infraestruturas críticas e a fragilidade institucional.
A escassa capacidade de inovação e a dificuldade crônica em executar reformas profundas impedem que os países latino-americanos alcancem um ambiente de negócios mais favorável. A disparidade entre o Chile e o restante do bloco sugere que, enquanto alguns países conseguiram criar condições de estabilidade, outros ainda lutam contra incertezas políticas e regulatórias que afugentam o investimento estrangeiro e limitam o bem-estar social.
Dinâmicas de queda e ascensão
O ranking de 2026 trouxe mudanças expressivas para as maiores economias da região. O Brasil, por exemplo, ocupou o 65º lugar, apresentando uma queda de sete posições comparado ao ano anterior, com uma pontuação de 40,1. Movimentos semelhantes de declínio foram observados no México e em Porto Rico, que recuaram sete pontos cada.
Por outro lado, a Argentina apresentou uma ascensão de quatro posições, alcançando o 58º lugar. É importante notar, entretanto, que a volatilidade nas posições reflete incentivos distintos e a capacidade de cada governo em gerir o ambiente empresarial. Enquanto o topo da tabela global é dominado por economias como Singapura, Hong Kong e Suíça, a América Latina ainda busca o modelo de eficiência que permita converter potencial em competitividade real.
Implicações para o ecossistema brasileiro
Para o Brasil, o resultado é um alerta sobre a necessidade de reformas que transcendam a estabilização monetária. A queda na competitividade, medida pelo IMD através da eficiência governamental e do ambiente de negócios, sugere que as empresas brasileiras operam em um cenário de custos elevados e burocracia que limita a escala e a inovação. A comparação com o Chile, que mantém métricas mais sólidas, reforça a necessidade de foco em infraestrutura.
A tensão entre a necessidade de atração de capital e a capacidade de entrega de produtividade é o desafio central para os formuladores de políticas públicas. Sem um avanço claro na qualidade da infraestrutura e na segurança jurídica, o país corre o risco de ver sua posição global estagnada enquanto competidores globais aceleram.
Perspectivas e incertezas futuras
O que permanece em aberto é a capacidade dos países latino-americanos de reverterem a tendência de queda na produtividade. A transição para economias mais digitais e inovadoras exige um esforço coordenado que, até o momento, tem sido insuficiente na região.
O mercado deverá observar de perto como as próximas rodadas de reformas estruturais em países como o Brasil e o México serão recebidas pelo capital internacional. A estabilidade demonstrada pelo Chile serve como um termômetro, mas a complexidade de cada economia local ditará o ritmo da recuperação competitiva nos próximos anos.
O cenário de 2026 é um lembrete de que a competitividade não é um estado adquirido, mas um processo contínuo de adaptação e eficiência institucional que exige vigilância constante de governos e do setor privado. O caminho para a ascensão no ranking passa, invariavelmente, pela superação dos gargalos históricos que ainda definem o desempenho da região.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





