O Japão se mantém como o maior credor estrangeiro dos Estados Unidos, com uma carteira de US$ 1,12 trilhão em títulos do Tesouro americano em junho de 2026. Logo atrás, o Reino Unido consolidou a segunda posição com US$ 939,9 bilhões. Contudo, a principal notícia está na outra ponta da tabela: a China continua a reduzir sua exposição, que caiu 13,4% em um ano para US$ 633,4 bilhões.
Os dados, compilados pelo Visual Capitalist a partir do sistema do Tesouro americano, revelam uma divergência cada vez mais nítida. De um lado, aliados tradicionais e centros financeiros ocidentais aumentam sua participação. Do outro, potências emergentes como China, Índia e Brasil se desfazem de seus títulos. O Brasil, em particular, registrou a queda mais acentuada entre os 20 maiores detentores, com um recuo de 21,8% em suas posições.
O xadrez dos credores
A fotografia dos credores da dívida americana é um reflexo direto da geopolítica. A posição robusta do Japão e o avanço do Reino Unido (+9,8%) sublinham a profundidade dos laços financeiros com Washington. O capital parece buscar refúgio em jurisdições financeiras tradicionais e politicamente alinhadas, como também indicam os aumentos em Luxemburgo (+7,7%) e Irlanda (+14%).
Em contrapartida, o movimento da China é estratégico e consistente. A redução de sua carteira de títulos americanos é uma política de longo prazo para diminuir a dependência do dólar e mitigar riscos geopolíticos. Ter sido ultrapassada pelo Reino Unido não é um sinal de fraqueza, mas de uma reorientação deliberada de suas reservas internacionais.
A fuga dos emergentes
A queda de 21,8% nos títulos detidos pelo Brasil, que reduziram a posição do país para US$ 168,4 bilhões, é a mais expressiva do grupo. Acompanhando o movimento, a Índia também cortou sua exposição em 18%. A ação coordenada — ou coincidente — de importantes membros dos BRICS sugere uma estratégia mais ampla de diversificação de ativos, possivelmente em resposta ao ambiente de juros altos nos EUA e à busca por maior autonomia financeira.
Essas mudanças ocorrem enquanto a dívida nacional americana já ultrapassa os US$ 40 trilhões. Embora os US$ 9,3 trilhões em mãos estrangeiras sejam apenas uma fração do total, a demanda externa é crucial para financiar os déficits de Washington. A questão que emerge é se a saída gradual de grandes economias pode, no futuro, encarecer o custo de captação para o governo americano.
O rearranjo na lista de credores é mais do que um ajuste técnico em portfólios. Trata-se de um barômetro das alianças globais e das novas prioridades econômicas. O mercado de títulos dos EUA segue como o mais líquido do mundo, mas o perfil de seus financiadores revela, cada vez mais, as tensões e os realinhamentos do poder global.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Visual Capitalist





