Uma empresa derivada da Academia Chinesa de Ciências desenvolveu o que afirma ser o menor e mais leve sistema de tomografia computadorizada (TC) do mundo. Batizado de Xtomo-Cube, o dispositivo mede 14 x 13 x 22 centímetros e pode ser segurado com uma mão, um feito notável de miniaturização para uma tecnologia normalmente associada a equipamentos de grande porte e toneladas de peso em hospitais e centros industriais.

Segundo reportagem do jornal espanhol El Confidencial, o aparelho não tem como alvo o diagnóstico médico em humanos, dado seu campo de escaneamento de apenas 16 milímetros de diâmetro. A tese aqui é outra: a criação de uma nova categoria de ferramenta de análise de alta precisão para uso em campo. O desenvolvimento, liderado pela Rayim Detection Technology, representa um avanço significativo na portabilidade de hardware complexo, com potencial para transformar disciplinas como arqueologia e geologia.

A nova fronteira da análise por imagem

O desafio de miniaturizar um tomógrafo — que exige uma fonte de raios-X, uma plataforma giratória e um detector em um espaço mínimo sem perda de qualidade — foi superado com uma série de inovações. O Xtomo-Cube opera com uma energia de 50 kVp (quilovolts pico), consideravelmente mais baixa que a de um aparelho hospitalar, o que reduz a necessidade de blindagem pesada contra radiação. Seu detector possui pixels de 18,5 micrômetros, permitindo uma resolução espacial final de 80 micrômetros, o equivalente à espessura de um fio de cabelo.

A combinação de baixo consumo de energia, cerca de 200 watts, permite que o dispositivo seja alimentado por baterias portáteis comuns, as mesmas usadas para carregar celulares. Isso o torna ideal para trabalhos de campo, onde o acesso à eletricidade é limitado ou inexistente. A empresa também destaca que, ao contrário de sistemas comerciais fechados, o Xtomo-Cube permite acesso aos dados brutos e ajuste de parâmetros, um diferencial para pesquisadores que desenvolvem novos algoritmos de reconstrução de imagem.

Do laboratório para o sítio arqueológico

O impacto mais imediato da tecnologia deve ser sentido na arqueologia. Atualmente, o processo de análise de pequenos artefatos exige que eles sejam cuidadosamente embalados, transportados de um sítio de escavação para um laboratório e, então, aguardem semanas pelos resultados de um tomógrafo convencional. Com o Xtomo-Cube, essa análise pode ser feita em minutos, no próprio local da descoberta.

Cientistas poderiam, por exemplo, visualizar o interior de sementes antigas, pequenos amuletos ou a estrutura interna de sedimentos antes de decidir se uma área merece uma escavação mais aprofundada. Embora este modelo específico não sirva para aplicações médicas, o avanço na miniaturização de fontes de raios-X e detectores de alta resolução aponta para um futuro onde equipamentos de diagnóstico especializados e portáteis podem se tornar mais comuns em diversas áreas, muito além dos hospitais.

O Xtomo-Cube ainda não tem preço ou data de lançamento definidos. Contudo, a materialização de um tomógrafo de bolso é menos sobre um produto específico e mais sobre a descentralização de uma capacidade analítica poderosa. A tecnologia deixa de ser um recurso centralizado e de difícil acesso para se tornar uma ferramenta distribuída, disponível onde a ciência acontece.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · El Confidencial — Tech