O Citi elevou a recomendação das ações da EcoRodovias (ECOR3) de neutra para compra nesta quarta-feira (27), sinalizando uma mudança de percepção sobre o ativo após um período de forte desvalorização. Embora o banco tenha ajustado seu preço-alvo para o final de 2026 de R$ 11 para R$ 10, o patamar ainda oferece um potencial de valorização de 29,7% em relação ao fechamento da última terça-feira (26).

A leitura do mercado, impulsionada pelo relatório do analista Filipe Nielsen, destaca que a recente correção de 23,7% nas ações desde janeiro criou uma margem de segurança atrativa. Com uma Taxa Interna de Retorno (TIR) projetada em 16,7%, a EcoRodovias volta a figurar como uma opção de valor, mesmo em um cenário macroeconômico marcado pela persistência de juros elevados.

O novo ciclo de execução

O otimismo do Citi não se baseia apenas no preço descontado, mas em uma mudança estrutural no cronograma da companhia. Com o leilão da Rota Gerais concluído, a expectativa é que a empresa entre em um período de maior estabilidade, permitindo que a gestão concentre esforços quase exclusivos na execução dos projetos já contratados. A ausência de novas disputas intensas por concessões no curto prazo reduz o risco de execução e o estresse sobre o balanço.

O foco agora se desloca para o crescimento orgânico. A tese é de que a expansão do tráfego nas rodovias sob gestão da empresa será o principal motor de valor, beneficiado pela alavancagem operacional característica do setor. Como os custos fixos de manutenção das vias são elevados, qualquer incremento no volume de veículos tende a se traduzir em ganhos de margem mais do que proporcionais.

Alavancagem e resiliência financeira

Um dos pontos centrais da análise é a estrutura de capital da companhia. O Citi reconhece que a alavancagem da EcoRodovias deve permanecer em patamares elevados até 2030, um reflexo natural do ciclo de investimentos intensivos em capital exigido pelo setor de infraestrutura. No entanto, o banco avalia que o impacto da taxa Selic prolongada sobre os resultados é administrável.

Essa resiliência deriva, em grande parte, do perfil da dívida da empresa, majoritariamente atrelada à inflação e a taxas de longo prazo. Essa configuração protege o fluxo de caixa de choques imediatos na política monetária, permitindo que a companhia mantenha o cronograma de entregas de projetos. A perspectiva é que a conclusão dessas obras impulsione o tráfego acima da média do PIB, criando um ciclo virtuoso de receita.

Implicações para o investidor

Para os stakeholders, o movimento do Citi reflete uma aposta na capacidade de execução da empresa em um momento em que o mercado busca ativos com retornos reais protegidos. A assimetria de alta, embora sensível à dinâmica do tráfego, parece compensar os riscos associados ao endividamento. Para o investidor brasileiro, o caso da EcoRodovias ilustra o dilema constante de investir em ativos de infraestrutura em um ambiente de juros estruturalmente altos.

Competidores e analistas do setor de concessões estarão atentos à capacidade da empresa de manter a disciplina financeira enquanto busca expandir o tráfego. O sucesso dessa estratégia de execução será o fiel da balança para que o potencial de valorização projetado pelo banco se materialize nos próximos anos, superando as incertezas macroeconômicas.

O que observar daqui para frente

O horizonte para a EcoRodovias permanece dependente de variáveis externas, como o comportamento do PIB e a estabilidade das taxas de longo prazo. A capacidade da empresa de entregar os projetos dentro do cronograma, mantendo a eficiência operacional, será o principal indicador de sucesso para os próximos trimestres.

O mercado continuará monitorando de perto a evolução da alavancagem da companhia à medida que novos projetos avançam para fases mais críticas de construção. A transição da fase de investimentos intensos para a de maturação dos ativos será o teste definitivo para a tese de valor que o Citi agora defende.

O cenário para a EcoRodovias sugere que o pior da pressão vendedora pode ter ficado para trás, mas a trajetória de recuperação das ações dependerá da entrega consistente de resultados operacionais. O mercado aguarda agora a confirmação de que o crescimento do tráfego será suficiente para justificar o otimismo dos analistas no longo prazo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times — Mercados