O Citigroup apresentou seu melhor terceiro trimestre em uma década, sinalizando o sucesso da reestruturação liderada pela CEO Jane Fraser. Em sua mais recente aparição no Fortune Most Powerful Women Summit, Fraser declarou que a fase mais árdua do turnaround está concluída e que a nova etapa se concentrará em alcançar a excelência em seus negócios, superando os concorrentes. "Se vamos ser os melhores nos negócios em que estamos, temos que vencer os melhores", afirmou Fraser, traçando um paralelo com sua filosofia de liderança, que preza pela comunicação direta e honesta com os colaboradores, mesmo em decisões difíceis.
Desde que assumiu o comando em 2021, Fraser tem trabalhado para simplificar a complexa estrutura global do Citi. A estratégia incluiu a reorganização da instituição em cinco unidades de negócios principais, a eliminação de camadas gerenciais e a saída de mercados de varejo fora dos EUA. O plano de reestruturação prevê um corte de 20.000 empregos até 2027. Fraser destacou que a abordagem para tomar decisões difíceis não exige aspereza, mas sim clareza e apoio aos funcionários afetados, exemplificando com a reestruturação do negócio de hipotecas do banco.
A Inteligência Artificial como Pilar Estratégico
A próxima fase de crescimento do Citi está intrinsecamente ligada à inteligência artificial (IA). Fraser delineou três áreas principais onde a IA impactará o banco: geração de receita, redução de custos e fortalecimento da segurança. A adoção de novas tecnologias é vista como crucial para manter a competitividade em um cenário financeiro em constante evolução. A CEO enfatizou a necessidade de agilidade nesse processo, ressaltando que "temos que mover rápido e reter a confiança".
Um exemplo prático dessa estratégia é o desenvolvimento de um agente avatar para o setor de gestão de fortunas do Citi, em colaboração com a equipe do Google DeepMind. Este agente tem a capacidade de interagir com clientes a qualquer hora, complementando o trabalho dos gerentes humanos. Fraser, no entanto, ressalvou que essa tecnologia não visa substituir a equipe, mas sim otimizar o atendimento e a disponibilidade de serviços, liberando os profissionais para tarefas de maior valor agregado.
Navegando entre Inovação e Risco
A questão sobre o impacto da IA no quadro de funcionários do Citi ainda é uma incógnita. Fraser admitiu que a empresa ainda não tem uma resposta definitiva, prevendo um cenário de "altos e baixos", com a criação de novas funções e a automação de outras. A gestão de riscos associados à inovação acelerada é outro ponto crucial. Segundo Fraser, a velocidade da inovação deve ser acompanhada pela velocidade na gestão de riscos. Em áreas como cibersegurança, a abordagem adotada pelos grandes bancos é a colaboração, não a competição.
"Você não compete em cibersegurança. Você colabora em cibersegurança", disse Fraser, indicando a importância de unir esforços para identificar e corrigir vulnerabilidades. Para preparar sua força de trabalho, o Citi está implementando um programa de treinamento em IA para 175.000 funcionários, com foco em técnicas de escrita de prompts. A crença é que um ambiente de trabalho onde os colaboradores se sintam seguros e capacitados é fundamental para o bom desempenho.
Implicações e o Futuro do Setor Bancário
A estratégia de Jane Fraser no Citi reflete uma tendência maior no setor bancário, onde a adoção de IA é vista como essencial para a eficiência operacional e a competitividade. A capacidade de gerar receita, economizar custos e reforçar a segurança cibernética posiciona o Citi para enfrentar os desafios futuros. A colaboração em cibersegurança, em particular, sugere uma mudança de paradigma, onde a cooperação é mais vantajosa do que a rivalidade em questões críticas para a estabilidade do sistema financeiro.
O desafio de equilibrar a inovação com a gestão de riscos, ao mesmo tempo em que se gerencia o impacto no quadro de funcionários, será determinante para o sucesso a longo prazo. A forma como o Citi, e outros grandes bancos, conseguirem integrar a IA de maneira ética e eficaz, garantindo a confiança dos clientes e a segurança das operações, definirá o futuro da indústria. A ênfase no treinamento de funcionários demonstra um reconhecimento de que a tecnologia é uma ferramenta, mas o capital humano continua sendo um componente vital.
Perguntas em Aberto
O futuro exato do emprego no setor bancário, à medida que a IA se torna mais integrada, permanece uma questão em aberto. A capacidade do Citi de traduzir seus investimentos em IA em ganhos tangíveis de receita e eficiência, sem comprometer a segurança ou a confiança do cliente, será o verdadeiro teste de sua estratégia. A adaptação contínua às rápidas mudanças tecnológicas e regulatórias será fundamental para manter a liderança.
A jornada de turnaround do Citi sob a liderança de Jane Fraser entra em uma nova fase, impulsionada pela inteligência artificial. Os próximos anos serão cruciais para determinar se a aposta em superar os melhores com a ajuda da tecnologia trará os resultados esperados, consolidando o banco em um cenário financeiro cada vez mais digital e competitivo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





