O Citi rebaixou a recomendação das ações do Nubank (ROXO34) de compra para neutro, ajustando o preço-alvo de US$ 18 para US$ 13. A mudança de postura reflete um ceticismo crescente sobre a capacidade da fintech de manter o ritmo de expansão sem comprometer suas margens de lucro nos próximos anos.
Segundo o relatório, a tese de investimento do Nubank atingiu um ponto de maturação onde o potencial de valorização das ações torna-se limitado. Os analistas argumentam que o mercado já precificou os sucessos passados, deixando pouco espaço para surpresas positivas frente a um cenário de custos operacionais e de risco mais elevados.
Dependência de crédito como motor de risco
A principal preocupação do Citi reside na estrutura de receita do Nubank, fortemente atrelada à expansão da carteira de crédito. Enquanto competidores globais diversificam suas fontes de ganho em áreas como investimentos e serviços financeiros, o Nubank mantém cerca de 60% de sua receita ligada ao crédito direto. Essa concentração torna a companhia sensível a oscilações macroeconômicas e ao comportamento de inadimplência.
Os analistas destacam uma correlação de 90% entre o crescimento da carteira e o custo de risco. Historicamente, conforme o Nubank amplia sua oferta, ele aumenta automaticamente sua exposição a segmentos de renda mais baixa, onde a previsibilidade de pagamento é menor. A transição para modalidades mais seguras, como o crédito consignado, ainda é vista como um desafio de escala.
O efeito colateral do crédito consignado
Um ponto crítico levantado pelo Citi é a dinâmica de subordinação dos produtos. O avanço do crédito consignado, que possui prioridade no desconto em folha, pode comprimir a capacidade financeira dos clientes para honrar dívidas de cartão de crédito e empréstimos pessoais. Para o banco, esse estresse financeiro incremental é um risco pouco considerado pelo mercado.
Essa assimetria negativa coloca o Nubank em uma posição delicada. Ao buscar produtos mais seguros para mitigar o risco, a empresa pode acabar empurrando seus clientes para uma situação de insolvência em outros produtos, concentrando o prejuízo exatamente onde a margem é mais alta.
Revisão de lucros e margens
O impacto direto dessa análise foi o corte nas projeções de lucro para 2026 e 2027, com reduções de 9% e 15%, respectivamente. O Citi projeta agora um ROE sustentável mais próximo de 25%, distanciando-se dos patamares superiores a 30% que marcaram a fase de crescimento acelerado da fintech até aqui.
Essa revisão sugere que o mercado deve ajustar suas expectativas de rentabilidade estrutural. À medida que a operação amadurece, a pressão por eficiência operacional tende a se tornar o principal vetor de valor, superando o simples ganho de base de clientes.
Incertezas sobre o futuro
Permanecem em aberto as questões sobre a eficácia da expansão internacional e a resiliência da base de clientes em ciclos de alta de juros. O mercado observará de perto se o Nubank conseguirá diversificar suas receitas a tempo de compensar a desaceleração esperada no crédito.
O desafio para a gestão será provar que a tese de crescimento pode coexistir com uma política de risco mais conservadora. O tempo dirá se a estratégia de longo prazo será suficiente para sustentar o otimismo dos investidores.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





