A Columbia Threadneedle Investments, uma das grandes gestoras globais, acaba de fazer uma aposta clara no novo cenário macroeconômico. A companhia lançou o ‘CT (Lux) Global Aggregate Bond’, um fundo de renda fixa global que já nasce com US$ 227 milhões em ativos sob gestão. O movimento, no entanto, não é um simples lançamento, mas um reposicionamento estratégico: o novo veículo foi criado a partir da reestruturação do antigo ‘CT (Lux) Flexible Asian Bond’.

A troca de um mandato focado na Ásia por um escopo global sinaliza uma tese central: com o fim da era de juros zero, as oportunidades em renda fixa se tornaram mais atraentes e geograficamente dispersas. A gestora está apostando que a gestão ativa pode extrair valor significativo nesse ambiente, algo que era mais difícil quando os bancos centrais do mundo operavam em uníssono com políticas monetárias frouxas.

A tese da dispersão

O novo fundo, liderado por Keith Patton, responsável pela área de juros globais da gestora, não seguirá uma estratégia passiva. A proposta é combinar ativamente posições em diferentes países, curvas de juros e durações, além de uma exposição seletiva a crédito corporativo. Em outras palavras, é um mandato para caçar as melhores oportunidades relativas no mercado de bonds, sejam elas em títulos soberanos europeus, dívida corporativa americana ou em mercados emergentes.

Segundo Patton, em comunicado citado pela Forbes Espanha, “os maiores rendimentos restauraram o atrativo dos bônus como fonte de renda e diversificação de carteiras”. O ponto-chave, contudo, é a “maior dispersão entre países, curvas de tipos e mercados de crédito”, que, segundo ele, cria um conjunto de oportunidades mais amplo para investidores ativos. É a justificativa clássica para a gestão ativa: em mercados mais voláteis e desiguais, um bom gestor pode gerar alfa.

O retorno da renda fixa

O movimento da Columbia Threadneedle reflete uma mudança mais ampla na alocação de capital. Após mais de uma década em que o TINA (There Is No Alternative) favoreceu as ações e ativos de risco, a renda fixa voltou a oferecer retornos nominais e reais competitivos. Para investidores institucionais e de varejo, os bonds voltam a cumprir seu papel tradicional de geração de renda e proteção de portfólio.

O reposicionamento do fundo, abandonando o foco exclusivo na Ásia, também é um sinal sutil sobre a percepção de risco e oportunidade. A leitura é que o cenário global está mais heterogêneo, e limitar-se a uma única região pode deixar valor na mesa. O sucesso da estratégia será um termômetro importante para a tese de que, no mundo pós-juro zero, a gestão ativa em renda fixa pode, de fato, superar os índices de referência de forma consistente.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España