A Amazon prepara uma profunda reformulação em seu serviço de streaming, o Prime Video, sob o codinome "Projeto Lighthouse". A iniciativa, centrada em inteligência artificial, visa transformar a maneira como os mais de 200 milhões de assinantes da plataforma descobrem filmes e séries, segundo reportagem da agência Reuters.

O movimento ganhou tração após uma intervenção direta de Jeff Bezos. O fundador da Amazon, apesar de ter deixado o cargo de CEO em 2021, teria considerado a estratégia original para o serviço tímida e cobrado uma abordagem mais ambiciosa com IA. A leitura é clara: para a Amazon, a próxima fronteira da guerra do streaming não está apenas no conteúdo, mas na interface que o apresenta.

Do catálogo à conversa

O Prime Video é frequentemente criticado por sua experiência de usuário, considerada inferior à de rivais como a Netflix. Em um mercado saturado de opções, o "paradoxo da escolha" se tornou o principal gargalo, e a capacidade de um serviço em apresentar o conteúdo certo, na hora certa, é um diferencial competitivo crucial. O Projeto Lighthouse é a resposta da Amazon a esse desafio, trocando a navegação estática por uma descoberta dinâmica.

Na prática, a empresa testa recursos como blocos de sugestões gerados por IA (por exemplo, "comédias românticas de Natal" ou "filmes de ação dos anos 1980"), busca por voz aprimorada e uma tela inicial totalmente adaptada aos gostos do usuário. A mudança, contudo, não é trivial. Como aponta um analista ouvido pela Reuters, o espaço na tela inicial é um ativo comercial valioso, negociado com estúdios, o que adiciona uma camada de complexidade à reestruturação.

A participação de Bezos é sintomática. Ela alinha o futuro do Prime Video à aposta multibilionária da Amazon em IA, que permeia da AWS a investimentos em startups como a Anthropic. Resta saber se a força bruta da tecnologia será suficiente para resolver um problema que, em sua essência, envolve curadoria, contexto e, finalmente, gosto humano.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Olhar Digital