Calçar um par de tênis sempre carregou uma promessa de velocidade, de movimento. Mas e se essa promessa se tornasse literal, quase mitológica? A Nike parece brincar com essa ideia ancestral ao adicionar um par de asas prateadas a seu mais novo Air Superfly. Não é mais sobre correr mais rápido, mas sobre a fantasia de, talvez, poder voar.
O lançamento é um objeto de desejo que parece existir mais para o olhar do que para a performance. Ele habita um espaço onde a moda encontra a cultura pop e o design se permite ser divertido, quase teatral. É um lembrete de que, no universo dos sneakers, a narrativa e a estética muitas vezes superam a função.
Um fetiche pop
O modelo, parte de um “Pink Pack” com lançamento exclusivo na varejista japonesa atmos Tokyo, é um exercício de design que beira o lúdico. A cor rosa vibrante, os recortes em formato de estrela que garantem a ventilação e, claro, o detalhe central: asas cravejadas de rebites prateados, que podem ser removidas. A opcionalidade é a chave. O usuário pode escolher entre um tênis excêntrico e um par um pouco mais contido. O fetiche está na possibilidade, não na obrigação. Vendido por ¥16.500 (cerca de US$ 104), o tênis é menos um equipamento esportivo e mais um item de colecionador, um artefato para ser exibido.
A estética do excesso
Em um mercado saturado de colaborações e edições limitadas, a diferenciação se torna cada vez mais performática. As asas do Air Superfly são um aceno a uma estética do excesso, um maximalismo que dialoga diretamente com a era das redes sociais. É um design feito para ser fotografado, para gerar conversa. Ele se afasta da sobriedade funcional que marcou certas épocas do design de calçados e abraça o ornamental e o divertido. A Nike não está vendendo apenas um produto; está oferecendo um acessório de identidade, um fragmento de fantasia que se pode calçar e descalçar ao bel prazer.
O gesto de remover as asas é tão significativo quanto o de usá-las. Ele nos lembra que a fantasia é temporária, um ornamento para o dia a dia. A questão que o tênis alado nos deixa não é sobre para onde ele pode nos levar, mas de qual realidade ele nos permite escapar, ainda que por um instante.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Highsnobiety





